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quarta-feira, setembro 16, 2026

ONU alerta: planeta deve ultrapassar 1,5°C de aquecimento até 2035, mesmo com queda lenta nas emissões

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Às vésperas da COP30, que será realizada em Belém (PA), um novo relatório do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) acende o sinal vermelho: o planeta deve ultrapassar o limite de 1,5°C de aquecimento global até 2035, mesmo com uma leve desaceleração nas emissões de gases de efeito estufa.

O estudo, divulgado nesta terça-feira (4/11), revela que as temperaturas médias continuam subindo de forma constante e que o mundo segue “no caminho de um sério aumento dos riscos climáticos”. As previsões atuais apontam para um aquecimento entre 2,3°C e 2,5°C até o final do século, caso todos os compromissos nacionais assumidos no Acordo de Paris sejam plenamente cumpridos. Se nada mudar, o aquecimento pode chegar a 2,8°C até 2100.

“Embora os planos climáticos nacionais tenham proporcionado algum progresso, este está muito aquém do necessário”, afirmou Inger Andersen, diretora-executiva do PNUMA. Segundo ela, as soluções para conter a crise climática “já existem”, citando o avanço das energias renováveis e a necessidade de enfrentar as emissões de metano.

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Desde que o Acordo de Paris foi firmado em 2015, as previsões melhoraram — antes, estimava-se que o aquecimento poderia chegar a 3,5°C até o fim do século. Contudo, o consumo global de combustíveis fósseis continua crescendo e bateu novo recorde em 2024, com aumento de 2,3% nas emissões em relação ao ano anterior.

De acordo com o relatório, para limitar o aquecimento a 1,5°C até 2100 seria necessário reduzir as emissões em mais de 55% até 2035. Mesmo com uma resposta imediata a partir de 2025, o mundo ainda enfrentaria um aumento médio de 1,8°C — ou cerca de 0,3°C acima da meta ideal.

Os autores alertam que cada décimo de grau faz diferença: “Cada fração de grau evitada reduz a escalada de danos, perdas e impactos na saúde”, destacam, lembrando que as populações mais pobres e vulneráveis são as mais atingidas.

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O relatório também ressalta o risco de ultrapassar pontos de inflexão climática, capazes de provocar mudanças abruptas e irreversíveis no sistema terrestre — como o colapso de geleiras, o branqueamento de corais e a desertificação de ecossistemas tropicais.

Apesar do tom de urgência, a ONU enfatiza que há motivos para otimismo. O crescimento acelerado da energia solar e eólica, a queda nos custos de tecnologias limpas e o fortalecimento da economia verde mostram que uma transição energética global ainda é possível — desde que acompanhada de vontade política e apoio financeiro aos países em desenvolvimento.

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