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quarta-feira, setembro 16, 2026

Cientistas identificam neurônios que podem ajudar a reverter ansiedade, aponta estudo espanhol

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Um novo estudo da Universidade Miguel Hernández de Elche, na Espanha, trouxe uma descoberta promissora sobre a origem e possível reversão da ansiedade. Os pesquisadores identificaram um grupo específico de neurônios na amígdala cerebral — área do cérebro associada ao controle das emoções — que tem papel direto no surgimento de sintomas de ansiedade, depressão e isolamento social.

Os resultados, publicados na revista científica iScience, mostram que restaurar a atividade normal desses neurônios foi suficiente para reverter completamente os comportamentos ansiosos em camundongos.

A equipe concentrou o estudo nos neurônios de disparo regular, localizados na parte centrolateral da amígdala. Eles observaram que, quando o gene Grik4 — responsável por regular receptores de glutamato, substância que transmite sinais entre as células nervosas — é expresso em excesso, esses neurônios se tornam hiperativos, gerando alterações comportamentais semelhantes à ansiedade e à depressão.

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Ao corrigir a expressão do gene Grik4 apenas nessa região, os cientistas conseguiram normalizar a função dos neurônios e eliminar os sintomas emocionais nos animais. Outros tipos de células cerebrais, no entanto, permaneceram disfuncionais, o que indica que o efeito é altamente específico e localizado.

“Esses resultados ajudam a entender como mudanças sutis em circuitos cerebrais emocionais podem levar a transtornos como ansiedade e depressão”, explicam os autores do estudo.

Embora a pesquisa ainda esteja em fase experimental e tenha sido realizada em animais, os cientistas acreditam que o mecanismo possa ser semelhante em humanos, já que a amígdala desempenha funções equivalentes em ambas as espécies.

Segundo os pesquisadores, a descoberta pode abrir caminho para o desenvolvimento de terapias mais precisas, capazes de modular a atividade desses neurônios sem causar os efeitos colaterais comuns nos tratamentos atuais.

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A Organização Mundial da Saúde (OMS) classifica o Brasil como o país mais ansioso do mundo, com índices agravados após a pandemia de Covid-19. Para os cientistas, entender as bases neurológicas do transtorno é um passo essencial rumo a tratamentos mais eficazes e personalizados para milhões de pessoas que convivem com a ansiedade.

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