O Centrão se movimenta para tomar a dianteira das discussões sobre segurança pública na Câmara dos Deputados. O grupo articula a união entre o projeto de lei da oposição, que equipara facções criminosas a organizações terroristas, e o texto enviado pelo governo Lula (PT), que propõe medidas de combate ao crime organizado.
A estratégia tem como objetivo diluir a marca do Planalto na proposta e permitir que o Centrão assuma o protagonismo da pauta — considerada de grande apelo popular. A fusão dos textos também busca atrair apoio da base bolsonarista, que tende a rejeitar qualquer projeto com a “digital de Lula”.
Nos bastidores, a ideia é negociar uma versão conjunta que mantenha pontos de convergência e suprima trechos polêmicos. A aliança prevê, por exemplo, a retirada da equiparação entre facções e terrorismo — criticada pelo governo por possíveis repercussões diplomáticas e econômicas — em troca da exclusão de dispositivos que reduzem penas para pequenos traficantes, previstos na proposta original do Planalto.
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O movimento foi formalizado pelo deputado Danilo Forte (União-CE), autor do projeto que trata da classificação de facções como terroristas. Ele apresentou requerimento para apensar — isto é, tramitar em conjunto — as duas propostas.
A articulação ganhou força após a megaoperação policial nos complexos do Alemão e da Penha, no Rio de Janeiro, que deixou 121 mortos e reacendeu o debate sobre o enfrentamento ao crime organizado. O episódio aumentou a pressão política sobre o governo, considerado vulnerável nessa pauta desde o início do terceiro mandato de Lula.
Governadores aliados da direita, como Cláudio Castro (PL-RJ), também teriam sinalizado interesse em alterar pontos do projeto do governo, o que fortaleceu a ofensiva do Centrão.
Apesar da tentativa de esvaziar a influência do Planalto, aliados do presidente avaliam que a fusão pode ter efeito positivo, já que amplia as chances de aprovação do projeto e evita um novo embate direto com a oposição.
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Enquanto isso, o governo busca retomar o controle da narrativa por meio da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado, recém-instalada no Senado sob a presidência do senador Fabiano Contarato (PT-ES).
Contarato, delegado de carreira e aliado do governo, prometeu uma investigação de alcance nacional. “Será uma comissão para ir até o topo da cadeia criminosa, responsabilizando não apenas executores, mas também líderes e financiadores da violência”, afirmou.
A criação da CPI e a tentativa do Centrão de fundir os projetos revelam uma disputa direta pelo comando da pauta de segurança pública — um dos temas mais sensíveis e politicamente estratégicos do governo Lula em um ano pré-eleitoral.
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