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sexta-feira, agosto 7, 2026

Estudo testa se calor afeta inteligência de filhotes de tartarugas marinhas

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Com o avanço das mudanças climáticas e o aumento da temperatura global, cientistas buscam entender como o calor pode afetar não apenas o corpo, mas também o comportamento e a cognição de espécies marinhas. Um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade Atlântica da Flórida (FAU), nos Estados Unidos, investigou se a temperatura de incubação influencia a inteligência dos filhotes de tartaruga-cabeçuda (Caretta caretta) — e trouxe resultados surpreendentes.

Publicada na revista científica Endangered Species Research, a pesquisa avaliou ovos coletados entre 2019 e 2020 em praias do Condado de Palm Beach, na Flórida. Em laboratório, os ovos foram incubados a 31°C e 33°C, temperaturas consideradas dentro da faixa natural, mas com diferença suficiente para medir impactos.

Teste de aprendizado em labirinto

Um mês após a eclosão, os filhotes foram submetidos a testes cognitivos em um labirinto em formato de Y. Os pesquisadores treinaram as tartarugas para associar recompensas alimentares a determinados padrões visuais e, em seguida, inverteram as regras — uma etapa chamada de treinamento de reversão, que avalia a capacidade de adaptação e aprendizado.

Para surpresa dos cientistas, não houve diferença significativa entre os dois grupos. As tartarugas incubadas nas duas temperaturas aprenderam rapidamente e se adaptaram às mudanças de forma eficiente. “Os filhotes foram capazes de suprimir comportamentos previamente aprendidos e formar novas associações com velocidade notável”, explicou Sarah L. Milton, professora da FAU e coautora do estudo.

Segundo ela, os resultados mostram que os filhotes “estão mais preparados para os desafios ambientais do que se imaginava”, demonstrando grande flexibilidade cognitiva — uma vantagem importante diante de um oceano em constante transformação.

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Efeitos físicos preocupam

Apesar dos resultados animadores sobre o aprendizado, o calor mostrou impactos negativos em outros aspectos biológicos. As tartarugas incubadas a 33°C apresentaram menor taxa de eclosão, crescimento mais lento, deformações no casco e tamanho corporal reduzido.

De acordo com Ivana J. Lezcano, autora principal do estudo, essas alterações podem comprometer a sobrevivência dos filhotes na natureza. “Temperaturas elevadas produzem tartarugas menores e menos resistentes fisicamente, com declínio significativo no sucesso da eclosão”, alertou.

Os pesquisadores ressaltam que, embora as temperaturas testadas não tenham causado danos severos, algumas praias já registram mais de 34°C, o que representa um risco crescente para a reprodução da espécie.

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Conservação e alerta climático

O grupo defende medidas urgentes de conservação das tartarugas e de proteção térmica dos ninhos, como sombreamento artificial e monitoramento da temperatura da areia. “A preservação das condições ambientais que garantem o desenvolvimento cognitivo e físico desses animais é essencial para sua sobrevivência”, concluiu Lezcano.

O estudo reforça que, mesmo quando o cérebro resiste ao calor, o corpo das tartarugas sente o impacto das mudanças climáticas — um sinal de que a luta pela conservação dessas espécies vai muito além do mar.

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