15 C
São Paulo
quarta-feira, setembro 16, 2026

Cientistas descobrem estrela com composição mais “pura” já observada no Universo

Leia mais

Astrônomos identificaram o que pode ser a estrela mais “pura” já registrada. Batizada de SDSS J0715-7334, a gigante vermelha apresenta a menor taxa de metalicidade já observada, ou seja, contém pouquíssimos elementos químicos pesados em sua composição — característica que a aproxima das primeiras estrelas formadas após o Big Bang.

A descoberta foi feita por uma equipe liderada pelo astrônomo Alexander Ji, da Universidade de Chicago (EUA), e divulgada em pré-print no portal científico arXiv. O artigo ainda aguarda revisão por pares.

As primeiras estrelas do Universo, chamadas de População III, eram compostas quase exclusivamente de hidrogênio, hélio e pequenas quantidades de lítio. Os elementos mais pesados — como ferro, carbono e oxigênio — surgiram apenas depois, produzidos nas fusão nuclear e explosões de supernovas. Quando essas estrelas antigas morreram, espalharam metais pelo espaço, enriquecendo as gerações seguintes de astros.

++ Peixes sentem sede? Entenda como eles “bebem” água

A estrela mais pobre em metais

A SDSS J0715-7334, segundo os pesquisadores, possui metalicidade duas vezes menor que a do antigo recordista, J1029+1729, e dez vezes inferior à da estrela mais pobre em ferro conhecida, a SMSS J0313-6708.

Além da extrema escassez de ferro, o novo astro também apresenta níveis muito baixos de carbono — uma combinação rara. Esse padrão químico indica que ela pode ter se formado a partir do colapso e dos restos das primeiras estrelas do cosmos, tornando-se um verdadeiro fóssil estelar.

Dados obtidos pelo satélite Gaia, da Agência Espacial Europeia (ESA), mostram que a estrela nasceu na Grande Nuvem de Magalhães, uma galáxia vizinha da Via Láctea, e migrou para nossa galáxia ao longo de bilhões de anos.

++ China realiza primeiro transplante de fígado de porco em pessoa viva

Um enigma sobre o nascimento das estrelas

O estudo também trouxe novas pistas sobre como as estrelas se formam em ambientes extremamente pobres em metais. Para que o gás interestelar dê origem a novas estrelas, ele precisa esfriar e se condensar — processo que ocorre mais lentamente quando há menos elementos pesados.

Mesmo abaixo do chamado “limiar de resfriamento”, onde teoricamente não seria possível a formação estelar, a SDSS J0715-7334 conseguiu se formar. Isso sugere que a poeira cósmica também teve papel essencial no resfriamento do gás primordial, permitindo o nascimento dessa estrela excepcionalmente pura.

Para os cientistas, a descoberta ajuda a reconstruir os estágios iniciais da evolução cósmica, oferecendo um vislumbre direto das condições do Universo em seus primeiros instantes. “Cada estrela como essa é uma cápsula do tempo, guardando em sua composição as assinaturas químicas das primeiras gerações de astros”, concluem os autores.

Não deixe de nos seguir no Instagram para mais notícias da Pardal Tech

- Advertisement -spot_img
- Advertisement -spot_img

Últimas notícias