Pesquisadores do Reino Unido e do Brasil desenvolveram a primeira vacina eficaz contra o herpesvírus endoteliotrópico dos elefantes (EEHV) — uma doença hemorrágica fatal que pode matar filhotes em menos de 24 horas e é considerada uma das principais ameaças à sobrevivência dos elefantes-asiáticos (Elephas maximus).
Atualmente, restam menos de 40 mil indivíduos da espécie em todo o mundo, segundo a União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN). A nova vacina, descrita na revista Nature Communications, representa um avanço sem precedentes para evitar que a espécie entre em extinção nas próximas décadas.
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Resultados promissores e sem efeitos colaterais
Os testes foram realizados com três elefantes adultos do Zoológico de Chester, no norte da Inglaterra. Cada animal recebeu quatro doses do imunizante, que utiliza um vetor viral contendo duas proteínas do EEHV.
Os resultados mostraram que a vacina ativou as células T, responsáveis pela defesa imunológica, sem provocar efeitos colaterais. Segundo os cientistas, o imunizante deve oferecer proteção especialmente para filhotes entre um e oito anos, faixa etária mais vulnerável ao vírus.
“Ainda não sabemos por que o vírus causa uma doença tão severa nos animais jovens, mas acreditamos que ele é transmitido pelos adultos naturalmente imunes, durante o desmame, quando os anticorpos maternos começam a desaparecer”, explicou Falko Steinbach, professor da Universidade de Surrey (Reino Unido) e coordenador do estudo.
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Esperança para a conservação
O EEHV provoca uma doença hemorrágica aguda, que age de forma fulminante, provocando falência de órgãos e morte rápida. A vacina poderá ser usada tanto em elefantes de cativeiro quanto em populações selvagens, auxiliando programas internacionais de conservação.
Outro destaque é a facilidade de armazenamento: o imunizante pode ser mantido entre 2°C e 8°C, o que permite o transporte e aplicação em campo, inclusive em regiões tropicais da Ásia, onde vivem a maioria dos elefantes-asiáticos.
Os pesquisadores afirmam que a tecnologia utilizada pode ser adaptada para outros vírus emergentes que ameaçam espécies em risco de extinção. “Essa vacina pode ser um divisor de águas, não apenas para os elefantes, mas para a conservação global da biodiversidade”, afirmam os autores do estudo.
Com o avanço da pesquisa, o próximo passo será testar a vacina em filhotes nascidos em zoológicos e santuários, antes de expandir o uso para populações selvagens na Índia, Sri Lanka e Sudeste Asiático.
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