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sexta-feira, julho 17, 2026

China realiza primeiro transplante de fígado de porco em pessoa viva

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Médicos chineses anunciaram um feito inédito na medicina moderna: o primeiro transplante de fígado de porco geneticamente modificado em um paciente vivo. O procedimento foi realizado em maio de 2024, no Hospital da Universidade Médica de Anhui, na cidade de Hefei, e os resultados foram publicados nesta quinta-feira (9) no Journal of Hepatology.

O paciente, de 71 anos, sofria de cirrose e câncer hepático. O fígado suíno foi implantado como órgão auxiliar, preservando o fígado humano original. O enxerto funcionou por 38 dias, produzindo bile e proteínas essenciais, antes de ser removido devido a complicações de coagulação. O paciente faleceu quatro meses após a cirurgia.

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Este caso demonstra que um fígado de porco geneticamente modificado pode funcionar em humanos por um longo período”, afirmou o cirurgião Beicheng Sun, que liderou o procedimento.

O órgão transplantado veio de um animal com dez alterações genéticas voltadas a reduzir o risco de rejeição e melhorar a compatibilidade imunológica. Segundo o relatório, o fígado apresentou funções metabólicas ativas, incluindo a produção de albumina e proteínas de coagulação humanas, sem sinais de rejeição aguda.

Apesar do desfecho trágico, o experimento representa um avanço significativo na área dos xenotransplantes — técnica que busca adaptar órgãos de animais para uso em humanos. Diferente de testes anteriores realizados em pessoas com morte cerebral, o estudo chinês foi o primeiro a usar um paciente vivo e aplicar o fígado como terapia de suporte temporário.

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O caso reacende a disputa entre China e Estados Unidos pela liderança científica nesse campo, que é visto como uma possível solução para a escassez global de órgãos humanos. Um editorial que acompanhou o artigo descreveu o feito como motivo de “otimismo cauteloso”, destacando que, embora promissor, o transplante ainda está distante do uso clínico regular.

Os pesquisadores afirmam que as descobertas fornecem dados inéditos sobre o funcionamento de enxertos animais vivos em humanos e reforçam a necessidade de novas investigações sobre segurança, infecções e aspectos éticos antes de qualquer aplicação em larga escala.

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