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terça-feira, julho 21, 2026

Casos de ataques de abelhas disparam no Brasil e expõem urgência por soro específico

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Responsáveis por polinizar plantas e produzir mel, as abelhas africanizadas (Apis mellifera) também representam um risco crescente à saúde pública. Dados do Ministério da Saúde mostram que, em 2024, foram registrados 34.260 ataques, com 117 mortes confirmadas. O número é 82% maior que em 2020 e já coloca os acidentes com esses insetos como a terceira principal causa de envenenamento por animais no país — atrás apenas de escorpiões e aranhas.

Especialistas apontam que a expansão da apicultura e as mudanças climáticas têm ampliado a presença desses insetos em áreas urbanas e rurais. “Trata-se de um problema de saúde pública que é, muitas vezes, negligenciado”, afirma Rui Seabra Ferreira Júnior, professor da Unesp e diretor do Centro de Estudos de Venenos e Animais Peçonhentos (Cevap).

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Falta de antídoto

Diferente de picadas de cobras e escorpiões, não há hoje no Brasil um soro específico contra o veneno das abelhas. O tratamento oferecido nos hospitais é apenas de suporte, voltado a controlar sintomas com anti-histamínicos, corticoides, analgésicos e, em casos graves, epinefrina.

Pesquisadores brasileiros, em parceria com o Instituto Butantan e o Instituto Vital Brazil, desenvolveram um candidato a antiveneno — batizado de antiveneno apílico. Em testes clínicos, o soro mostrou eficácia em pacientes atacados por enxames com mais de 500 abelhas e apresentou apenas efeitos colaterais leves. O projeto agora aguarda autorização do Ministério da Saúde para avançar para a fase 3 de ensaios clínicos, etapa que pode abrir caminho para registro na Anvisa e posterior distribuição pelo SUS.

“Se tudo correr como planejado, será um medicamento inédito no mundo, que o Brasil poderá, inclusive, exportar”, explica Ferreira Júnior.

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Quando buscar ajuda

Especialistas alertam que picadas múltiplas ou reações alérgicas severas exigem atendimento médico imediato. Os sintomas de anafilaxia incluem dificuldade para respirar, inchaço em boca e olhos, dor abdominal intensa, manchas vermelhas e desmaios. Já ataques de enxames podem levar a falência renal, insuficiência respiratória e lesões musculares se não tratados corretamente.

Enquanto o soro não está disponível, a prevenção continua sendo a principal medida de proteção. Evitar áreas com colmeias, acionar autoridades em caso de enxames urbanos e buscar abrigo imediato em caso de ataque são recomendações básicas. Retirar rapidamente os ferrões também ajuda a reduzir a quantidade de veneno inoculado.

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