A saúde mental se consolidou como um dos maiores desafios de saúde pública no Brasil. Pesquisa realizada pela Ipsos em 31 países mostrou que 42% dos brasileiros afirmam viver sob estresse frequente, índice superior à média global. O levantamento também revela que 54% da população já considera a saúde mental o principal problema de saúde no país — em 2018, esse índice era de apenas 18%.
Especialistas apontam que o estresse é uma resposta natural do organismo a pressões do cotidiano, mas que, quando se torna crônico, pode desencadear alterações graves, como insônia, queda da imunidade, depressão e ansiedade. Para a psicóloga clínica Débora Porto, de Brasília, os sinais de alerta incluem irritabilidade, dificuldade de concentração, tristeza persistente e alterações de sono e apetite. “Quando há isolamento, queda de rendimento ou uso de álcool e comida como escape, é hora de buscar ajuda profissional”, ressalta.
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O estudo mostra ainda que fatores sociais ampliam a vulnerabilidade, como insegurança financeira, jornadas exaustivas e baixa rede de apoio. Mulheres sofrem impacto maior, por acumularem responsabilidades profissionais, domésticas e emocionais. “O estigma cultural também é uma barreira: ainda persiste a ideia de que pedir ajuda é sinal de fraqueza”, acrescenta Porto.
Segundo o psiquiatra Luiz Alberto Hetem, medidas psicossociais e psicoterapêuticas devem ser priorizadas. “Terapia cognitivo-comportamental, higiene do sono e atividade física são prioritárias. A medicação pode ser usada por tempo limitado em situações de insônia persistente ou ansiedade alta”, explica.
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Apesar do avanço no debate, especialistas alertam para as barreiras de tratamento: falta de Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), concentração de profissionais em grandes capitais e custo elevado no setor privado. Para Hetem, a saída está em ampliar a rede pública e investir em prevenção. “A chave não está em novos medicamentos, mas em fortalecer recursos internos e sociais para enfrentar as pressões do dia a dia”, afirma.
O Brasil, que ocupa a quarta posição mundial no ranking de estresse, enfrenta, portanto, um cenário que exige resposta urgente. Reconhecer sinais precoces, buscar ajuda profissional e adotar práticas de autocuidado são medidas fundamentais para evitar que o estresse cotidiano evolua para transtornos graves.
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