A proposta de instituir o “Dia da Cegonha Reborn” no calendário oficial do Rio de Janeiro foi definitivamente arquivada nesta terça-feira (5), após a Câmara de Vereadores manter o veto do prefeito Eduardo Paes. A medida, que pretendia homenagear artesãs que produzem bonecas hiper-realistas conhecidas como bebês reborn, não obteve votos suficientes para ser aprovada.
O projeto, de autoria do vereador Vitor Hugo (MDB), chegou a ser aprovado em plenário no primeiro semestre, mas foi vetado por Paes em 4 de julho. Para derrubar o veto, eram necessários 26 votos favoráveis, mas apenas 21 vereadores se posicionaram contra a decisão do Executivo, enquanto 14 votaram pela manutenção.
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Ao justificar sua proposta, Vitor Hugo destacou o papel terapêutico das bonecas reborn e a valorização do trabalho artesanal das chamadas “cegonhas”, mulheres que confeccionam as bonecas com características extremamente realistas. “Essas artesãs se baseiam em fotos ou idealizações de recém-nascidos para produzir peças que ajudam, inclusive, pessoas que enfrentam traumas emocionais”, argumentou.
Apesar do apelo, o prefeito Eduardo Paes foi categórico ao vetar o texto e chegou a comentar o caso nas redes sociais com uma publicação sucinta: “Com todo respeito aos interessados, mas não dá”.
O debate em torno das bonecas reborn tem ganhado visibilidade nos últimos meses, com episódios que vão desde disputas familiares na Justiça até casos envolvendo multas de trânsito — em um deles, uma mulher contestou a infração alegando que o “bebê” no banco da frente era, na verdade, uma boneca.
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Um estudo da Universidade de Toronto, publicado recentemente, aponta que o uso dessas bonecas por adultos pode representar uma forma legítima de expressão emocional e criativa. Segundo os pesquisadores, as interações com os reborns vão além de uma simples brincadeira e podem servir como ferramenta terapêutica para lidar com perdas, traumas ou solidão.
Mesmo com a rejeição oficial à data comemorativa, o tema segue dividindo opiniões entre o público e levantando discussões sobre saúde mental, arte e os limites entre realidade e representação.
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