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quarta-feira, setembro 16, 2026

Butantan desenvolve tratamento para proteger grávidas contra zika e prevenir microcefalia

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O Instituto Butantan está avançando no desenvolvimento de um novo medicamento com potencial para proteger gestantes contra o vírus zika, responsável por casos graves de microcefalia e outras malformações em recém-nascidos. A aposta da instituição é em uma terapia com anticorpos monoclonais, que poderá oferecer proteção prolongada durante toda a gestação.

A iniciativa parte de uma parceria com a Universidade Rockefeller, dos Estados Unidos, que isolou e testou inicialmente os anticorpos em laboratório. No Brasil, a equipe do Butantan adaptou a tecnologia para produção em escala farmacêutica e iniciou os ajustes necessários para uso em humanos. A expectativa é que os testes clínicos comecem em breve.

“O zika ainda representa um risco real de surtos no país, especialmente para gestantes. Nosso objetivo é oferecer uma forma de proteção complementar à vacina, com potencial de uso único e efeito duradouro”, afirma o diretor do instituto, Esper Kallás.

A tecnologia é baseada em anticorpos humanos com alta capacidade de neutralizar o vírus. Testes realizados em macacas prenhas demonstraram que a terapia foi eficaz em reduzir a presença do vírus no organismo materno e impedir danos neurológicos nos fetos.

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O Butantan também desenvolveu uma linhagem celular própria para a produção dos anticorpos e, com o uso de engenharia genética, está buscando estender sua permanência no organismo. “Os anticorpos costumam durar em média três semanas no sangue. Estamos modificando para que tenham ação prolongada ao longo da gestação”, explica Ana Maria Moro, diretora do Laboratório de Biofármacos do instituto.

O tratamento, classificado como imunoterapia passiva, prevê a aplicação direta dos anticorpos já prontos, o que possibilitaria proteção imediata às mulheres em idade fértil e, sobretudo, às grávidas. Segundo Kallás, esse tipo de abordagem pode ser fundamental em regiões onde há insegurança vacinal ou risco iminente de infecção.

Antes de ser disponibilizado ao público, o anticorpo monoclonal ainda passará por uma série de estudos clínicos, começando por testes em voluntários saudáveis. Só após essa etapa é que o uso em gestantes poderá ser avaliado com segurança.

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O projeto é mais um passo do Butantan para fortalecer as estratégias de combate ao zika, que causou uma das maiores emergências de saúde pública no Brasil em 2015, quando mais de 50 mil casos foram registrados. O avanço da pesquisa reforça o protagonismo nacional no enfrentamento de doenças tropicais com impacto direto sobre a saúde reprodutiva e a infância.

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