Ao ser questionado nesta quarta-feira (30) sobre a prisão da deputada federal Carla Zambelli (PL-SP), o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) preferiu não responder diretamente. Ao chegar à sede do Partido Liberal, em Brasília, manteve-se em silêncio diante dos repórteres e, posteriormente, reagiu com uma pergunta: “Tem censura no Brasil ou não?”
A declaração enigmática ocorre em meio a uma série de restrições judiciais impostas a Bolsonaro pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), após operações da Polícia Federal. Entre as medidas cautelares aplicadas, estão o uso de tornozeleira eletrônica, recolhimento domiciliar noturno e proibição de uso de redes sociais — inclusive de forma indireta, por meio de terceiros.
Na prática, não há impedimento legal para que o ex-presidente conceda entrevistas. No entanto, Moraes determinou que qualquer conteúdo de fala que venha a ser divulgado por terceiros em plataformas digitais também será considerado violação das restrições. O despacho foi emitido após questionamentos sobre se Bolsonaro poderia ou não se manifestar publicamente sem infringir a decisão judicial.
Zambelli presa na Itália
A deputada Carla Zambelli foi presa na terça-feira (29) em Roma, na Itália, onde vivia desde o início de junho. Ela foi localizada após denúncia feita pelo deputado italiano Angelo Bonelli, que indicou às autoridades o endereço onde a parlamentar estava hospedada. A prisão foi autorizada por Moraes e executada com apoio da Interpol e da polícia italiana.
Zambelli foi condenada pelo STF a 10 anos e 8 meses de prisão por crimes de invasão de sistema informatizado e falsidade ideológica, no caso da tentativa de adulterar registros do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) em parceria com o hacker Walter Delgatti Neto. Após a condenação, ela fugiu do Brasil pela fronteira com a Argentina e viajou para os EUA antes de seguir para a Europa.
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A prisão da deputada é mais um capítulo no crescente cerco judicial a aliados do ex-presidente. Bolsonaro, por sua vez, tem evitado declarações públicas diretas sobre os casos que envolvem membros de sua base política, enquanto cumpre medidas que incluem também a proibição de contato com outros investigados, como seu filho Eduardo Bolsonaro.
O cenário evidencia o avanço das investigações que envolvem figuras centrais do bolsonarismo, ampliando a tensão entre o Judiciário e o núcleo político ligado ao ex-presidente.
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