A deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) foi presa nesta terça-feira (29), em Roma, na Itália, após ser incluída na lista de procurados da Interpol. A detenção foi confirmada pelo Ministério da Justiça brasileiro e teve apoio das autoridades italianas, após o deputado Angelo Bonelli informar a localização da parlamentar.
Zambelli foi condenada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 10 anos e 8 meses de prisão pelos crimes de invasão de sistema informático e falsidade ideológica, em um caso que envolveu o hacker Walter Delgatti Neto, também condenado a oito anos. O episódio teve como alvo os sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), invadidos em 2023 com o objetivo de inserir documentos falsos.
Além da pena de prisão, o STF determinou a cassação do mandato parlamentar — decisão que só será efetivada após o esgotamento de todos os recursos. A condenação inclui ainda o pagamento de uma indenização de R$ 2 milhões, solidariamente com Delgatti.
Fuga do Brasil e pedido de prisão preventiva
Poucos dias após a condenação, Zambelli deixou o país de forma discreta, cruzando a fronteira com a Argentina por via terrestre, na região de Foz do Iguaçu (PR). De Buenos Aires, seguiu para a Europa. A ausência de controle migratório formal nessa rota permitiu que a saída da deputada não fosse registrada pela Polícia Federal.
Embora tivesse autorização judicial para viajar durante a fase recursal, o Ministério Público Federal pediu a prisão preventiva de Zambelli após sua fuga. O ministro Alexandre de Moraes, relator do caso no STF, acatou o pedido e determinou sua inclusão na difusão vermelha da Interpol, o que viabilizou a cooperação internacional para sua localização e eventual extradição.
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Repercussões políticas e abandono da defesa
A prisão de Zambelli gerou reações imediatas no cenário político. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pediu apoio do governo italiano à parlamentar, que chegou a se declarar “exilada” em vídeos nas redes sociais.
Enquanto isso, a equipe jurídica que defendia a deputada protocolou recurso alegando cerceamento de defesa — com destaque para a suposta falta de acesso a provas armazenadas na plataforma digital “mega.io”. No entanto, os advogados deixaram o caso após serem informados, segundo eles, apenas de que a cliente estaria fora do país “para tratamento de saúde”.
O advogado Daniel Bialski confirmou sua saída da defesa por “motivo de foro íntimo”.
Com a prisão confirmada e a cooperação internacional em curso, o caso de Zambelli agora se encaminha para um novo capítulo: o processo de extradição e os desdobramentos políticos e jurídicos que ele poderá desencadear.
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