Pesquisadores da Universidade da Califórnia surpreenderam o mundo científico ao anunciarem a criação de uma nova cor, batizada de “olo”, cuja percepção só é possível por meio de estimulação controlada da retina — ou seja, não pode ser vista em condições naturais. Os resultados foram divulgados em artigo publicado na revista Science.
A descoberta partiu de um experimento que utilizou feixes de laser para estimular seletivamente células fotorreceptoras específicas da retina. Apenas cinco voluntários participaram da experiência e conseguiram visualizar a nova cor, algo que jamais aconteceria em um ambiente comum, onde todos os tipos de células da visão são ativados simultaneamente.
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Como vemos as cores?
Segundo a oftalmologista Tatiana Corrêa de Souza, do Hospital de Olhos da rede Vision One, a percepção das cores é um processo complexo que envolve a interação entre luz, retina e cérebro. “A luz branca contém todas as cores que o olho humano pode perceber. Quando ela incide sobre um objeto, parte do espectro é absorvida, e a parte refletida é o que enxergamos”, explica.
A retina humana possui três tipos de células sensíveis à luz, chamadas cones, responsáveis pela visão em ambientes bem iluminados:
- Cone S: percebe a faixa azul do espectro (comprimentos de onda curtos);
- Cone M: percebe a faixa verde (comprimentos de onda médios);
- Cone L: percebe a faixa vermelha (comprimentos de onda longos).
Essas células precisam de luz intensa para funcionar corretamente e operam junto aos bastonetes, que são responsáveis pela visão noturna e periférica. Ao contrário dos cones, os bastonetes não distinguem cores, por isso, à noite, enxergamos em tons de cinza.
O que torna a cor “olo” diferente?
A novidade da cor “olo” está no fato de que ela foi percebida ao estimular apenas um dos três tipos de cones (o tipo M, responsável pela faixa verde), bloqueando completamente os outros dois. Isso cria uma experiência visual que o cérebro nunca teve antes — e, portanto, uma cor que não pode ser descrita com as referências convencionais.
“Em situações normais, todos os cones são ativados ao mesmo tempo. O experimento foi inédito justamente por isolar a estimulação a apenas um tipo de cone, o que nunca ocorre naturalmente”, explicou a Dra. Tatiana.
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Aplicações futuras
A pesquisa abre portas para novos estudos sobre percepção visual e daltonismo, distúrbio que dificulta a distinção entre algumas cores. Ao entender como o cérebro responde à estimulação seletiva das células da visão, cientistas podem avançar na criação de tratamentos ou adaptações visuais para quem tem deficiências na percepção de cor.
Por enquanto, a cor “olo” permanece visível apenas em laboratórios altamente controlados. Ainda assim, sua criação expande os limites do que entendemos como realidade visual e levanta a possibilidade de que o universo das cores seja muito maior do que o que conseguimos ver.
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