Um estudo internacional conduzido pelo Leonardo Da Vinci DNA Project identificou 15 parentes vivos do artista e inventor renascentista Leonardo Da Vinci, descendentes diretos da linhagem masculina de sua família. A descoberta foi divulgada no livro Genìa Da Vinci. Genealogy and Genetics for Leonardo’s, lançado recentemente na Itália e ainda inédito no Brasil.
O objetivo da pesquisa é um dos mais ambiciosos já realizados no cruzamento entre biologia e história: reconstruir o perfil genético completo de Da Vinci a partir de documentos históricos, testes de DNA em descendentes vivos e análise de restos mortais atribuídos à sua família.
Reconstrução genealógica
O projeto mapeou 21 gerações da família de Leonardo, com base em registros históricos que remontam a 1331. A árvore genealógica identificou mais de 400 indivíduos, culminando nos descendentes atuais, ligados ao pai de Leonardo, Piero, e ao meio-irmão Domenico Benedetto.
Seis dos 15 homens identificados aceitaram fornecer amostras de DNA. A análise do cromossomo Y, transmitido de pai para filho, mostrou compatibilidade entre eles — o que confirma a continuidade da linhagem masculina por, pelo menos, 15 gerações.
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Vestígios sob igreja em Vinci
Além dos dados genealógicos, a equipe encontrou restos mortais da família Da Vinci sob o chão da Igreja de Santa Cruz, no vilarejo de Vinci, na Itália. Ossos foram retirados para datação por carbono, e um dos fragmentos — possivelmente de um parente direto — revelou-se do sexo masculino. A próxima etapa será a extração e comparação do DNA com o dos descendentes vivos.
“Se for possível confirmar a correspondência do cromossomo Y entre o material extraído e os descendentes atuais, isso validará toda a reconstrução histórica da linhagem de Leonardo”, explicou o antropólogo David Caramelli, um dos coordenadores do projeto.
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Entendendo o gênio por dentro
O estudo busca entender se características extraordinárias de Da Vinci, como sua acuidade visual, criatividade e habilidades cognitivas excepcionais, podem ter fundamentos genéticos. A equipe também pretende investigar possíveis condições de saúde que o artista possa ter tido — ou até mesmo esclarecer as causas de sua morte.
Outros vestígios de material genético podem ser extraídos de manuscritos e obras originais do próprio Leonardo, nos quais ele pode ter deixado células epiteliais e resíduos biológicos ao manusear os papéis.
O Leonardo Da Vinci DNA Project é coordenado por instituições como a Universidade Rockefeller, o Instituto J. Craig Venter, na Califórnia, e a Universidade de Florença, e está em andamento desde 2016. Para os pesquisadores, desvendar a composição genética do homem por trás da Mona Lisa pode não apenas ampliar o conhecimento histórico, mas também abrir uma nova fronteira na ciência da criatividade humana.
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