Um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade do Colorado sugere que o consumo excessivo de cannabis pode afetar a memória de trabalho, essencial para o raciocínio, a tomada de decisões e o controle do comportamento. A pesquisa analisou mais de mil jovens adultos e comparou o uso recreativo da substância com mudanças na atividade cerebral durante tarefas cognitivas.
Os resultados indicam que usuários frequentes apresentam menor ativação em regiões do cérebro relacionadas à concentração, ao processamento de emoções e ao planejamento. Entre elas, estão o córtex pré-frontal dorsolateral, o córtex pré-frontal dorsomedial e a ínsula anterior. Essas áreas possuem alta densidade de receptores CB1, que interagem com o tetrahidrocanabinol (THC), principal composto psicoativo da cannabis. O uso contínuo pode reduzir a sensibilidade desses receptores, impactando a função cerebral.
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Além disso, o estudo apontou que usuários recentes da substância tiveram pior desempenho em testes de memória e coordenação motora. No entanto, não foram encontradas associações entre diagnóstico de dependência e alterações na função cerebral, o que sugere que os impactos cognitivos podem estar mais ligados ao uso frequente do que a fatores sociais ou legais.
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Pesquisas anteriores já indicaram que o consumo de cannabis na adolescência pode interferir no desenvolvimento cerebral, reduzindo a espessura de determinadas áreas do córtex. Além disso, estudos mostram que o uso precoce da substância pode aumentar o risco de transtornos psicóticos na vida adulta. Por outro lado, há evidências de que a cannabis pode ter efeitos terapêuticos, como no tratamento da depressão.



