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domingo, julho 14, 2024

Dispositivo simula corpo humano para combater mosquitos da dengue

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Uma estrutura peculiar, semelhante a um monólito, compartilha espaço com frequentadores do Hotel Rosewood, em São Paulo, e estudantes da rede de escolas Maple Bear. Com 1m30cm de altura e uma pequena abertura na parte superior, este artefato visa eliminar mosquitos, especialmente os vetores da dengue.

Batizado de Mosqitter, o dispositivo é fruto de uma startup ucraniana, recentemente introduzido no Brasil pela Marangoni Maretti, uma indústria paulista de 80 anos, localizada em Mogi Mirim, especializada em energia, infraestrutura e metal-mecânica. Além de suas operações tradicionais, a empresa também investe em inovação, sendo essa tecnologia uma de suas apostas mais recentes.

Diferentemente dos repelentes convencionais, o Mosqitter emprega um software que replica as características do corpo humano, incluindo temperatura próxima a 37 graus, emissão suave de gás carbônico e a liberação de feromônios que simulam o odor humano, imperceptível ao olfato humano.

Essa combinação atrai os mosquitos para o dispositivo, capturando-os eficientemente. Segundo Pedro Moreira, responsável pelo Mosqitter no Brasil, o atrativo para os mosquitos fêmeas, responsáveis pelas picadas, é 40% maior do que para os seres humanos, interrompendo assim o ciclo reprodutivo desses insetos.

O timing da chegada do Mosqitter ao Brasil é oportuno, considerando o surto de dengue sem precedentes enfrentado pelo país. Com mais de 4 milhões de casos prováveis e confirmados apenas este ano, de acordo com o Painel de Arboviroses do Ministério da Saúde, a demanda por soluções eficazes é crucial.

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Desde sua introdução em janeiro, o dispositivo já comercializou cerca de 50 unidades, com foco em hotéis, escolas e clubes – locais de grande circulação de pessoas. Cada equipamento tem preço médio de R$ 13.900, e a meta da Marangoni é atingir R$ 2 milhões em faturamento no primeiro ano de operação.

A jornada de trazer o Mosqitter para o Brasil começou há sete anos, quando a Marangoni iniciou seus investimentos em pesquisa e desenvolvimento. A aproximação com a startup ucraniana ocorreu em 2022, durante um evento de tecnologia em Las Vegas. A afinidade entre as empresas foi imediata, especialmente pela validação e potencial da tecnologia para controle de vetores de doenças.

Os primeiros testes realizados no Brasil foram conduzidos pelo Instituto de Pesquisa em Imunoparasitologia da Universidade do Sul de Santa Catarina, demonstrando uma redução de 93% nas picadas de mosquitos, além de atrair menos outras espécies, sem impactar insetos polinizadores como as abelhas. Com resultados positivos, a Marangoni firmou um contrato de exclusividade com a startup ucraniana para fabricação e distribuição no Brasil.

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Entre os primeiros clientes do Mosqitter estão redes de escolas, hotéis e clubes, que já expandem seus projetos para abranger áreas maiores. Apesar dos desafios iniciais, como a necessidade de familiarização do mercado com a tecnologia e a garantia de uma rede de manutenção eficaz, a empresa está confiante no potencial comercial do dispositivo, especialmente em setores como hotelaria, restaurantes, escolas e condomínios.

A Marangoni, com cerca de 300 funcionários e faturamento de R$ 270 milhões em 2023, além de sua joint venture com a alemã Meiser, continua a diversificar suas operações, com expectativas de crescimento promissor no mercado de controle de vetores e saúde pública.

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