
Debate presidencial não mudou a decisão de muitos eleitores indecisos, aponta pesquisa qualitativa (Foto: Instagram)
O debate presidencial da TV Globo, realizado nesta sexta-feira (23), não conseguiu converter a indecisão de eleitores que ainda não sabem em quem votar. A conclusão é de uma pesquisa qualitativa da Alfa Inteligência com participantes de diferentes regiões. Para muitos, o confronto terminou sem um vencedor evidente e deixou a impressão de que era “seis por meia dúzia”.
O bloco de tema livre foi o momento mais mal avaliado. Segundo os participantes, as acusações pessoais ocuparam espaço que poderia ter sido usado para apresentar propostas. No balanço geral, houve críticas à falta de respostas concretas para problemas cotidianos e à predominância de ataques entre os candidatos.
Ao avaliar o desempenho no debate, 21 participantes apontaram Flávio Bolsonaro (PL) como o candidato que se saiu melhor, enquanto 18 citaram Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A avaliação de quem teve melhor desempenho, contudo, não se traduziu diretamente em intenção de voto: 19 pessoas continuaram indecisas, 12 disseram que votariam em Flávio e 10, em Lula.
Os números retratam as respostas dos participantes da pesquisa qualitativa e não são uma estimativa do eleitorado brasileiro. Entre os temas que ajudaram a projetar Flávio esteve a segurança pública. Suas posições sobre endurecimento de penas e classificação de facções criminosas como grupos terroristas foram mencionadas entre os pontos que chamaram atenção. Também tiveram boa recepção propostas relacionadas ao empreendedorismo e à renegociação de dívidas.
Nas regiões Nordeste, Norte e Centro-Oeste, o discurso sobre segurança foi apontado como capaz de atrair até participantes que haviam feito críticas ao candidato. Lula, por sua vez, manteve apoio entre pessoas que valorizam programas sociais associados a seu governo, incluindo a ampliação da rede pública de educação e benefícios como o Pé-de-Meia.
Também houve críticas ao foco recorrente de Lula em Jair Bolsonaro e no passado. Participantes que esperavam ouvir mais respostas sobre os próximos anos consideraram que esse enfoque não atendeu às suas expectativas. Entre as demandas que, na avaliação dos entrevistados, ficaram em segundo plano estavam o custo de vida, a inflação nos supermercados, o atendimento no SUS, a violência e o endividamento.
A percepção predominante foi de que os candidatos falaram mais sobre a disputa entre si do que sobre soluções para esses problemas. A Alfa Inteligência avalia que a disputa continua aberta entre os indecisos: Flávio mostrou potencial de mobilização ao abordar diretamente a segurança, enquanto Lula preservou apoios ligados à experiência e às políticas sociais. Em vez de provocar uma mudança ampla, o debate reforçou o ceticismo e a ideia de que parte dos eleitores poderá escolher pelo “menos pior”.



