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sábado, outubro 31, 2026

Protestos na França no fim de semana intensificam pressão sobre governo Macron

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Emmanuel Macron durante pronunciamento sobre a onda de protestos na França (Foto: Instagram)

A França enfrenta uma grave crise após manifestações contra o custo de vida e a qualidade dos serviços públicos evoluírem para episódios de violência inéditos no país. No fim de semana, protestos pacíficos deram lugar a confrontos com grupos mascarados, resultando em enormes saques e depredações. Em reação, o primeiro-ministro Sébastien Lecornu convocou, na manhã de segunda-feira (19/10), uma reunião de emergência para avaliar o impacto dos tumultos e definir novas ações de segurança.

O ministro do Interior, Laurent Nuñez, chegou a apresentar sua renúncia ao Palácio do Eliseu, mas o presidente Emmanuel Macron recusou o pedido. Macron solicitou que o chefe da pasta apresente propostas concretas para reforçar a presença policial nas ruas e garantir que todos os responsáveis sejam levados à Justiça, em resposta às críticas sobre falta de planejamento e efetivo insuficiente para conter a onda de violência.

Estima-se que mais de meio milhão de pessoas participaram dos protestos no sábado, inicialmente de forma pacífica, reivindicando acesso a uma educação pública de qualidade e serviços básicos mais acessíveis. Contudo, grupos de manifestantes encapuzados e vestidos de preto aproveitaram o tumulto para saquear cerca de 1,5 mil lojas e comércios. As forças de segurança usaram gás lacrimogêneo e canhões de água, e o Ministério do Interior informou que aproximadamente mil policiais ficaram feridos, sete em estado grave.

A presidente da Câmara Baixa do Parlamento, Yaël Braun-Pivet, anunciou a abertura de uma investigação para esclarecer as falhas operacionais durante os protestos. Enquanto isso, rumores de toque de recolher temporário ou até de estado de emergência circularam pelo país. No domingo, Macron fez um pronunciamento televisionado pedindo unidade nacional e prometendo punições, mas foi criticado na imprensa local pela escassez de detalhes práticos.

Entre as dúvidas levantadas estão o modo como vândalos e organizadores de atos violentos serão responsabilizados, como as cidades poderão ser mais protegidas em manifestações futuras e quais serão os critérios para indenizar comerciantes prejudicados. Também cresce a pressão para que o governo retome o diálogo com representantes de estudantes e professores — motivo original dos protestos, iniciados no mês passado.

A secretária-geral do sindicato CGT, Sophie Binet, acusou o presidente de ignorar as reivindicações de jovens e trabalhadores. Macron, considerado por muitos como um “presidente em fim de mandato”, transferiu parte das negociações ao primeiro-ministro Lecornu. A corrida para sucedê-lo na eleição de daqui a seis meses já esquenta, com Marine Le Pen e Jean-Luc Mélenchon disputando protagonismo e influência sobre o debate público.

O Parlamento segue dividido em três blocos, paralisado por disputas políticas, enquanto os investidores pressionam para conter o aumento da dívida pública. O governo teme que cortes em serviços ou benefícios sociais desencadeiem novas revoltas. Nos próximos dias, com o recesso escolar e a mobilização de sindicatos e do movimento “coletes amarelos” marcada para 5 de novembro, o país aguarda os desdobramentos com apreensão.

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