A tradição de completar o álbum da Copa do Mundo mobiliza famílias em todo o país, mas um detalhe pouco conhecido do processo chama a atenção: o destino do papel que sobra das figurinhas.
O material, conhecido como liner, funciona como suporte adesivo da figurinha e, apesar de parecer papel comum, possui uma camada de silicone que muda completamente sua forma de descarte e reciclagem.
Segundo especialistas, essa composição impede que o material seja tratado como papel convencional nas cooperativas de reciclagem, o que exige atenção redobrada no descarte doméstico.
Material parece papel, mas tem composição diferente
O liner é a base que protege a figurinha antes da colagem. Ele é fabricado com celulose, mas recebe um revestimento de silicone que permite a fácil remoção do adesivo.
Essa característica, no entanto, compromete o processo de reciclagem tradicional. De acordo com a engenheira ambiental Beatriz Rodrigues de Barcelos, da Universidade Católica de Brasília (UCB), o silicone impede a dissolução do material durante o processamento industrial.
Na prática, isso faz com que o papel não se comporte como resíduo reciclável comum e possa contaminar lotes inteiros de papel reaproveitável.
++ Defesa pede ao STF extensão da prisão domiciliar de Bolsonaro por mais 90 dias
Descarte incorreto ainda é o principal problema
Especialistas apontam que o maior desafio não está na tecnologia de reciclagem, mas na logística de coleta. Sem sistemas estruturados de recolhimento, a maior parte desse material ainda vai parar no lixo comum e, posteriormente, em aterros sanitários.
A engenheira ambiental destaca que o descarte inadequado representa perda de matéria-prima de alto valor, já que o liner é produzido com celulose de boa qualidade, que poderia ser reaproveitada.
Como descartar corretamente
A orientação é separar o material em casa, mantendo os resíduos limpos e secos, e destiná-los a pontos de coleta específicos quando disponíveis — como campanhas em escolas, condomínios e instituições parceiras.
Na ausência dessas iniciativas, o descarte deve ser feito no lixo comum, e não na coleta seletiva, para evitar contaminação de outros materiais recicláveis.
Reciclagem especializada ainda é restrita no Brasil
Embora não seja aceito na coleta seletiva tradicional, o liner pode ser reciclado por empresas especializadas que conseguem separar o silicone da fibra de celulose.
No Brasil, esse processo ainda é limitado a poucos operadores. Uma das empresas que atua nesse segmento afirma que pode receber toneladas do material ao longo de campanhas de coleta ligadas ao período da Copa.
O material recuperado volta à cadeia produtiva e pode ser usado na fabricação de embalagens, papéis sanitários, papel-cartão e outros produtos.
Segundo representantes do setor, iniciativas de coleta ajudam a ampliar a conscientização sobre resíduos menos conhecidos e reforçam a importância da separação correta.
Resíduo pequeno, impacto grande
Apesar de parecer insignificante individualmente, o descarte correto do liner ganha relevância quando considerado em escala nacional. A destinação adequada evita desperdício de matéria-prima, reduz o volume enviado a aterros e fortalece práticas de economia circular ligadas à reciclagem.
Não deixe de nos seguir no Instagram para mais notícias da Pardal Tech



