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quarta-feira, setembro 16, 2026

Álbum da Copa: papel das figurinhas exige descarte correto e não pode ir direto para reciclagem comum

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A tradição de completar o álbum da Copa do Mundo mobiliza famílias em todo o país, mas um detalhe pouco conhecido do processo chama a atenção: o destino do papel que sobra das figurinhas.

O material, conhecido como liner, funciona como suporte adesivo da figurinha e, apesar de parecer papel comum, possui uma camada de silicone que muda completamente sua forma de descarte e reciclagem.

Segundo especialistas, essa composição impede que o material seja tratado como papel convencional nas cooperativas de reciclagem, o que exige atenção redobrada no descarte doméstico.

Material parece papel, mas tem composição diferente

O liner é a base que protege a figurinha antes da colagem. Ele é fabricado com celulose, mas recebe um revestimento de silicone que permite a fácil remoção do adesivo.

Essa característica, no entanto, compromete o processo de reciclagem tradicional. De acordo com a engenheira ambiental Beatriz Rodrigues de Barcelos, da Universidade Católica de Brasília (UCB), o silicone impede a dissolução do material durante o processamento industrial.

Na prática, isso faz com que o papel não se comporte como resíduo reciclável comum e possa contaminar lotes inteiros de papel reaproveitável.

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Descarte incorreto ainda é o principal problema

Especialistas apontam que o maior desafio não está na tecnologia de reciclagem, mas na logística de coleta. Sem sistemas estruturados de recolhimento, a maior parte desse material ainda vai parar no lixo comum e, posteriormente, em aterros sanitários.

A engenheira ambiental destaca que o descarte inadequado representa perda de matéria-prima de alto valor, já que o liner é produzido com celulose de boa qualidade, que poderia ser reaproveitada.

Como descartar corretamente

A orientação é separar o material em casa, mantendo os resíduos limpos e secos, e destiná-los a pontos de coleta específicos quando disponíveis — como campanhas em escolas, condomínios e instituições parceiras.

Na ausência dessas iniciativas, o descarte deve ser feito no lixo comum, e não na coleta seletiva, para evitar contaminação de outros materiais recicláveis.

Reciclagem especializada ainda é restrita no Brasil

Embora não seja aceito na coleta seletiva tradicional, o liner pode ser reciclado por empresas especializadas que conseguem separar o silicone da fibra de celulose.

No Brasil, esse processo ainda é limitado a poucos operadores. Uma das empresas que atua nesse segmento afirma que pode receber toneladas do material ao longo de campanhas de coleta ligadas ao período da Copa.

O material recuperado volta à cadeia produtiva e pode ser usado na fabricação de embalagens, papéis sanitários, papel-cartão e outros produtos.

Segundo representantes do setor, iniciativas de coleta ajudam a ampliar a conscientização sobre resíduos menos conhecidos e reforçam a importância da separação correta.

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Resíduo pequeno, impacto grande

Apesar de parecer insignificante individualmente, o descarte correto do liner ganha relevância quando considerado em escala nacional. A destinação adequada evita desperdício de matéria-prima, reduz o volume enviado a aterros e fortalece práticas de economia circular ligadas à reciclagem.

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