
Dólar sobe a R$ 5,06 sob influência do conflito EUA-Irã e IPCA-15 acima do esperado (Foto: Instagram)
O dólar registrou um aumento de 0,66% frente ao real, sendo cotado a R$ 5,06 nesta quarta-feira (27/5). No dia anterior, a moeda americana já havia subido 0,18% em relação à divisa brasileira. O Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores (B3), encerrou o dia com uma queda de 0,39%, aos 175,9 mil pontos, marcando a segunda baixa consecutiva do indicador.
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Mais uma vez, a guerra entre os Estados Unidos e o Irã foi o principal fator que influenciou os mercados de câmbio e ações. Nesta quarta-feira, após um breve período de otimismo no início da semana, os investidores continuaram cautelosos em relação às negociações de paz entre os dois países.
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Apesar das incertezas, o preço do petróleo caiu no mercado internacional. O barril do tipo Brent, referência mundial, fechou em queda de 4,57%, a US$ 92,25. Já o West Texas Intermediate (WTI), que baliza o comércio nos Estados Unidos, recuou 4,96%, a US$ 89,23 por barril.
INFLAÇÃO NO BRASIL
No Brasil, os investidores estavam atentos à divulgação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15), que é considerado uma prévia da inflação. Em maio, o índice subiu 0,62%, conforme os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em 12 meses, o aumento foi de 4,64%.
Os números superaram as expectativas do mercado. As projeções indicavam uma taxa mensal de 0,53% (mas ficou em 0,62%) e, em 12 meses, de 4,55% (ficou em 4,64%). Além disso, a taxa de 0,62% foi a maior para o mês de maio em dez anos, desde 2016 (quando foi de 0,86%).
Em maio, os preços de alimentação e bebidas subiram 1,38%, após um aumento de 1,46% em abril. Esse grupo foi o que mais contribuiu positivamente — com 0,30 ponto percentual — para o IPCA-15 de maio, embora tenha havido uma leve queda em comparação com abril (0,31 ponto percentual).
ANÁLISE
Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, destaca que o dólar operou em alta e se manteve acima de R$ 5,00, refletindo um cenário ainda defensivo devido à falta de um acordo definitivo entre os Estados Unidos e o Irã.
“Apesar da queda do petróleo e de alguns sinais de avanço diplomático, o mercado continua sensível ao risco de prolongamento do conflito no Oriente Médio, o que ainda mantém a demanda por proteção”, comenta o analista.
No Brasil, segundo Shahini, o IPCA-15 acima das expectativas reforçou a percepção de cortes mais graduais da Selic, enquanto pesquisas eleitorais recentes adicionaram ruído ao cenário local. “O movimento também foi amplificado por fatores técnicos de fim de mês, com antecipação de rolagens e ajustes de posição antes da formação da Ptax”, explica.
A Ptax é uma média do preço do dólar em relação ao real, calculada pelo Banco Central. Ela serve de referência para contratos de câmbio. No fim do mês, empresas e investidores tentam influenciar o preço da moeda americana para que a média lhes seja favorável. Com isso, esses grupos vendem ou compram grandes quantidades de dólar para puxar o preço para cima ou para baixo, afetando a média final.



