
Trader observa telas com cotações em queda em Wall Street diante de tensões geopolíticas. (Foto: Instagram)
Os principais índices das bolsas de valores da Europa fecharam em queda nesta terça-feira (12/5), devido ao aumento das tensões entre Estados Unidos e Irã e ao impasse nas negociações para encerrar o conflito no Oriente Médio.
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No Reino Unido, além da questão geopolítica, o mercado foi impactado pela crise do governo do primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, que enfrenta pressão para renunciar após a significativa derrota do Partido Trabalhista em eleições locais na semana passada.
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Em Nova York, as principais bolsas dos EUA também operam em baixa nesta tarde, com investidores considerando os dados oficiais de inflação da maior economia mundial em abril deste ano.
O índice Stoxx 600, que inclui ações de 600 empresas europeias, encerrou o dia em queda de 1%, aos 606,64 pontos. Na Bolsa de Frankfurt, o DAX registrou uma forte baixa de 1,54%, aos 23,9 mil pontos. Em Londres, o FTSE 100 terminou o pregão com uma leve queda de 0,04%, aos 10,2 mil pontos. O CAC 40, da Bolsa de Paris, caiu 0,95%, aos 7,9 mil pontos. Já o índice Ibex 35, de Madri, fechou em baixa de 1,56%, aos 17,5 mil pontos.
Nos Estados Unidos, as bolsas operam em queda na tarde desta quinta-feira. Por volta das 15h05 (horário de Brasília), o índice Dow Jones caía 0,03%, aos 49,6 mil pontos, praticamente estável. No mesmo horário, o S&P 500 registrava uma queda de 0,56%, aos 7,3 mil pontos, enquanto o Nasdaq Composto, que inclui ações de empresas de tecnologia, recuava 1,39%, aos 25,9 mil pontos.
O destaque da agenda econômica global nesta terça-feira são os resultados da inflação ao consumidor nos EUA em abril. O Índice de Preços ao Consumidor (CPI) dos EUA ficou em 0,6% em abril, comparado a 0,9% no mês anterior. Na comparação anual, o indicador foi de 3,8%, frente a 3,3% em março. A meta de inflação no país é de 2% ao ano.
Os dados de inflação são fundamentais para a definição da taxa básica de juros pelo Federal Reserve (Fed, o Banco Central dos EUA). Na última reunião do Fed, na semana passada, os juros foram mantidos entre 3,5% e 3,75% ao ano, conforme esperado pela maioria dos analistas de mercado. O próximo encontro do Fed para decidir a taxa de juros está agendado para os dias 16 e 17 de junho.
A taxa básica de juros é o principal instrumento dos bancos centrais para controlar a inflação. Quando a autoridade monetária mantém os juros elevados, busca conter a demanda aquecida, refletindo nos preços, pois juros mais altos aumentam o custo do crédito e incentivam a poupança. Assim, taxas mais elevadas podem também desacelerar a atividade econômica.
Segundo André Valério, economista sênior do Banco Inter, o resultado da inflação americana em abril foi impulsionado, principalmente, pela energia, que subiu 3,8% e contribuiu com 40% da variação total no mês. "Apesar da aceleração dos itens voláteis, o núcleo da inflação também acelerou, de 0,2% para 0,4%, devido à alta de 0,6% nos gastos com habitação", explica.
Para Valério, em termos de política monetária, o resultado não altera o cenário. "Ainda serão necessárias mais leituras para entender completamente o repasse do choque de energia para outros preços e se sua natureza será temporária. Por enquanto, mantemos a expectativa de um Fed paralisado no futuro próximo. Mercados já começam a postergar os cortes de 2026 para 2027", projeta.
Nickolas Lobo, especialista em investimentos da Nomad, observa que "os números indicam que as pressões inflacionárias estão se espalhando por diversas categorias, indo além do choque energético, o que é natural considerando que a energia pode ter um impacto indireto em outros setores". "Enquanto o setor de energia foi o principal componente de aumento (+3,8% no mês, com a gasolina subindo 28,4% no ano), outros segmentos se mantiveram mais estáveis, como os custos de habitação e vestuário, que avançaram 0,6%", destaca.
Para Lobo, "o principal fator que prejudica o crescimento americano é a inflação, que vem impactando negativamente os salários reais". "O longo processo de desinflação, que começou em 2022, continua enfrentando obstáculos externos, que podem levar o Fed a manter uma postura de maior cautela e vigilância contínua", afirma.
Claudia Moreno, economista do C6 Bank, avalia que "os dados do CPI de abril sugerem que a inflação americana está sentindo os impactos da ofensiva dos EUA e de Israel ao Irã sobre os preços do petróleo". "Os preços do segmento de energia, por exemplo, subiram 3,8% no mês, puxados principalmente pelo aumento de 5,4% na gasolina", diz.
"O conflito no Oriente Médio permanece sem solução, o que reforça as preocupações em relação à inflação no mundo todo. Nesse contexto, acreditamos que não há espaço para cortes de juros nos EUA. Nossa expectativa é que os juros sejam mantidos no intervalo atual (de 3,5 a 3,75%) neste ano."
EUA e Irã entram em nova rota de colisão, desta vez de maneira retórica. Nos últimos dias, a escalada de provocações públicas entre o presidente norte-americano, Donald Trump, e autoridades iranianas aprofundou a crise diplomática e colocou sob ameaça o já frágil cessar-fogo firmado entre os dois países no mês passado.
Enquanto negociações indiretas seguem em andamento sob a mediação do Paquistão, Washington e Teerã voltaram a trocar farpas, ameaças militares e críticas públicas após novos confrontos próximos ao principal tópico sensível do conflito, o Estreito de Ormuz.
Durante o fim de semana, Trump já havia iniciado a nova retórica ao publicar nas redes sociais imagens geradas por inteligência artificial ironizando o Irã. Uma das postagens mostra navios afundados com a legenda "Marinha iraniana". Em outra, drones são abatidos por uma embarcação norte-americana acompanhados da frase "tchau, tchau, drones". As publicações vieram pouco antes de o republicano afirmar que a nova proposta iraniana para encerrar o conflito era "totalmente inaceitável".
Na segunda-feira, o presidente norte-americano voltou a afirmar que o cessar-fogo está "por um fio" e atravessa seu momento "mais crítico". "É incrivelmente fraco. Eu o chamaria de o mais fraco no momento. Depois de ler aquele lixo que eles nos enviaram (proposta do Irã para encerrar a guerra), eu nem terminei de ler. Eu diria que o cessar-fogo está em estado crítico", disse o republicano.
Trump também chamou integrantes da liderança iraniana de "lunáticos" e afirmou que Teerã muda de posição constantemente durante as negociações.
O Irã ameaçou enriquecer urânio a 90% caso os EUA voltem a atacar o país. A declaração foi dada pelo porta-voz do parlamento, Ebrahim Rezaei, pelas redes sociais. Segundo ele, essa seria uma opção para o país e a questão seria avaliada pelo parlamento. "Uma das opções do Irã, em caso de um novo ataque, poderia ser o enriquecimento a 90%. Vamos examinar no parlamento", disse, na madrugada desta terça-feira.
O urânio enriquecido a 90% é suficiente para construir uma bomba nuclear. Até então, acredita-se que Teerã tenha urânio já enriquecido a 60%.
No domingo (10/5), o Irã apresentou proposta para encerrar a guerra. O acordo, segundo a mídia iraniana, prevê o fim da guerra em todas as frentes, a interrupção das ofensivas israelenses no Líbano, a retirada de sanções americanas, o desbloqueio de ativos iranianos congelados e o fim do bloqueio naval imposto pelos EUA contra embarcações ligadas ao Irã.
Mais de 40 países se reúnem nesta terça-feira, sob a liderança do Reino Unido e da França, para discutir os preparativos de uma possível missão militar que interrompa o bloqueio do Irã no Estreito de Ormuz. Este será o segundo encontro entre as nações que concordaram com a missão multinacional. Desta vez, porém, os países serão representados por seus respectivos ministros da Defesa. A reunião acontece em formato virtual.
De acordo com o governo britânico, as discussões serão voltadas para planejamentos para a futura missão, ainda sem data definida, para "restaurar a confiança na navegação comercial ao longo dessa rota comercial crucial".
Os esforços liderados pelo Reino Unido e pela França foram anunciados em 13 de abril. A missão foi descrita pelo presidente francês, Emmanuel Macron, como "estritamente defensiva", e que deve ser implantada "quando a situação permitir".
Ainda que a operação não tenha data definida para sair do papel, forças britânicas já se posicionaram na região. No sábado, o governo do Reino Unido anunciou o envio do navio de guerra HMS Dragon para o Oriente Médio. O mesmo já havia sido deslocado para o Mediterrâneo em março, após uma base militar do país no Chipre ter sido atacada por drones.
Parcialmente bloqueado desde o início da guerra com os EUA e Israel, o Estreito de Ormuz é um canal marítimo estratégico localizado entre o Irã e os Emirados Árabes Unidos, considerado o "gargalo" mais importante do mundo para a energia por concentrar cerca de 20% a 30% do petróleo mundial e grande parte do gás natural liquefeito (GNL). O estreito é crucial para a economia global.



