A Escócia passou a permitir oficialmente a chamada cremação por água, método também conhecido como hidrólise alcalina. A medida torna o país o primeiro do Reino Unido a regulamentar essa alternativa, apontada por defensores como uma opção mais ecológica para o destino final dos restos mortais.
O procedimento reproduz, de forma acelerada, o processo natural de decomposição que ocorreria após o sepultamento. O corpo é colocado em um cilindro metálico pressurizado, aquecido a cerca de 150 °C, e imerso em água misturada a uma solução alcalina — geralmente em concentração de 5%. Ao longo de três a quatro horas, os tecidos se dissolvem, restando apenas os ossos.
Após o término do processo, os ossos são secos e transformados em pó, que pode ser guardado em urna ou destinado da mesma maneira que as cinzas de uma cremação tradicional.
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Mudança histórica
A introdução da hidrólise representa a primeira grande atualização na legislação funerária escocesa desde que a cremação foi autorizada, em 1902. A ministra da Saúde Pública, Jenni Minto, destacou que decisões sobre o destino do corpo são profundamente pessoais e refletem valores, crenças e desejos familiares. “A hidrólise oferece uma nova alternativa ecológica ao sepultamento ou à cremação”, afirmou, ressaltando o apoio público por mais opções.
A empresa Kindly Earth, responsável pelos equipamentos de hidrólise no Reino Unido, informou que a primeira unidade escocesa pode levar cerca de nove meses para começar a operar, devido à necessidade de autorizações de construção e de órgãos reguladores da água.
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Sustentabilidade como motivação
Defensores da técnica argumentam que o método não gera emissões tóxicas na atmosfera e pode reduzir o uso de caixões descartáveis. O interesse crescente por funerais sustentáveis também foi destacado por diretores de funerárias locais, que observam maior preocupação das famílias com o impacto ambiental até mesmo após a morte.
Atualmente, cerca de 80% dos funerais no Reino Unido envolvem cremação tradicional. A hidrólise já é permitida em dezenas de estados norte-americanos e em países como Canadá, Irlanda, África do Sul, Austrália e Nova Zelândia. Em 2022, o arcebispo Desmond Tutu optou pelo método.
Especialistas observam que práticas funerárias inovadoras costumam gerar resistência inicial — assim como ocorreu com a própria cremação há mais de um século. Ainda assim, a nova legislação escocesa amplia o leque de escolhas disponíveis e insere a sustentabilidade no centro do debate sobre ritos de despedida.
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