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quarta-feira, setembro 16, 2026

Reino Unido registra primeiro nascimento após transplante de útero de doadora falecida

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O Reino Unido entrou para a história da medicina reprodutiva com o nascimento do primeiro bebê gerado a partir de um útero transplantado de uma doadora falecida. A mãe, Grace Bell, vive em Londres e nasceu sem o órgão — condição rara que impede a gestação natural.

O parto ocorreu após um processo longo e altamente coordenado que envolveu cirurgia complexa, fertilização in vitro e acompanhamento especializado. O bebê, chamado Hugo Richard Norman, simboliza um avanço considerado inédito no sistema de saúde britânico.

Uma condição rara e desafiadora

Estudos indicam que cerca de uma em cada cinco mil mulheres no Reino Unido nasce sem um útero viável — quadro conhecido como síndrome de Mayer-Rokitansky-Küster-Hauser (MRKH). A ausência do órgão inviabiliza a gestação, limitando as alternativas à adoção ou à gestação por substituição.

O caso de Grace integra o programa INSITU, iniciativa que prevê a realização de novos transplantes com órgãos provenientes de doadoras falecidas.

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Cirurgia delicada e autorização especial

Diferentemente de transplantes consolidados, como os de rim ou coração, o transplante uterino ainda é considerado experimental. No sistema público britânico, o NHS exige consentimento específico da família da doadora para a retirada do útero.

A cirurgia, realizada em 2023, durou cerca de sete horas. Após a recuperação, Grace foi submetida à fertilização in vitro para possibilitar a gravidez. O acompanhamento incluiu controle rigoroso para evitar rejeição do órgão e garantir a evolução segura da gestação.

O parto ocorreu no Imperial College Healthcare NHS Trust, que participou do procedimento ao lado do Hospital Queen Charlotte’s and Chelsea.

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Novo capítulo na medicina reprodutiva

Para a equipe médica, o nascimento representa a consolidação de mais de duas décadas de pesquisa. A cirurgiã Isabel Quiroga, uma das líderes do projeto, destacou que o resultado demonstra a viabilidade da técnica com doadoras falecidas, ampliando o acesso ao procedimento.

Embora ainda esteja em fase experimental, o sucesso do caso abre caminho para que o transplante de útero deixe de ser uma exceção e se torne uma alternativa estruturada dentro da medicina reprodutiva britânica.

Para mulheres que nasceram sem útero funcional, o marco representa não apenas um avanço científico, mas a possibilidade concreta de vivenciar a gestação e o parto com o próprio corpo.

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