A agência de imigração dos Estados Unidos, Immigration and Customs Enforcement (ICE), passou a operar com o maior orçamento entre as forças policiais federais após a aprovação de uma lei em 2025. Desde então, a estrutura tecnológica da agência foi significativamente ampliada, com a incorporação de ferramentas de vigilância avançada que vão muito além do controle migratório tradicional.
Sob a gestão do então presidente Donald Trump, o ICE expandiu seu escopo de atuação e passou a utilizar inteligência artificial, reconhecimento biométrico, drones e grandes bancos de dados para localizar alvos, acompanhar deslocamentos e observar manifestações contrárias à própria agência — inclusive envolvendo cidadãos americanos sem vínculo com imigração irregular.
O avanço dessas práticas tem sido alvo de críticas de organizações de direitos civis e de parlamentares, que alertam para riscos à privacidade e à liberdade de expressão. Relatórios oficiais e documentos obtidos pela imprensa apontam que parte dessas tecnologias vem sendo empregada com fiscalização limitada.
Identificação biométrica em campo
Entre as ferramentas utilizadas estão sistemas de reconhecimento facial e coleta biométrica. Agentes do ICE usam aplicativos móveis que permitem escanear rostos, impressões digitais e até íris de pessoas abordadas na rua, comparando os dados em tempo real com bases governamentais.
A agência também recorre ao software da Clearview AI, que cruza imagens captadas com fotos disponíveis publicamente na internet. Embora a tecnologia tenha sido apresentada inicialmente para investigações específicas, novos contratos autorizaram seu uso em um número maior de ocorrências envolvendo forças de segurança.
Rastreamento de veículos e celulares
Outra frente relevante é a leitura automática de placas de veículos. Com câmeras de alta velocidade e acesso a bancos de dados privados, o ICE consegue reconstruir rotas, padrões de deslocamento e hábitos de motoristas, a partir de registros acumulados ao longo dos anos. Mesmo quando há restrições diretas, a agência obtém os dados por meio de parcerias com polícias locais.
No campo das telecomunicações, o ICE utiliza simuladores de torres de celular — conhecidos como Stingrays — para identificar a localização de aparelhos em tempo real ou mapear quais dispositivos estiveram em determinada área. Embora a legislação exija autorização judicial, auditorias internas indicam que o recurso foi empregado, em alguns casos, sem mandado, sob alegação de urgência.
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Dados comprados no mercado digital
A agência também compra informações de localização coletadas por aplicativos comuns, como jogos e serviços de clima. Esses dados, obtidos de corretores especializados, permitem o rastreamento sem a necessidade de ordem judicial às operadoras de telefonia. Sistemas desse tipo possibilitam a criação de “cercas digitais”, que alertam quando celulares entram ou saem de áreas previamente delimitadas.
Acesso a celulares e dados apagados
No campo da perícia digital, o ICE adquiriu ferramentas capazes de acessar celulares bloqueados, recuperar arquivos apagados e ler mensagens criptografadas. Tecnologias que antes eram restritas a investigações de terrorismo passaram a integrar operações voltadas à deportação. Contratos com empresas especializadas foram retomados após mudanças na orientação política do governo federal.
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Vigilância aérea e controle do espaço
O uso de drones também ganhou escala. Modelos compactos equipados com câmeras térmicas e visão noturna são usados para identificar pessoas a grandes distâncias, transmitindo imagens ao vivo para centros de comando. Em operações de maior porte, aeronaves não tripuladas do tipo Predator conseguem monitorar áreas extensas simultaneamente.
Novas regras federais ainda restringem o uso de drones por terceiros nas proximidades de operações do ICE, garantindo à agência controle exclusivo do espaço aéreo durante ações e protestos.
O conjunto dessas tecnologias evidencia uma mudança profunda no modelo de atuação do ICE, que deixou de se limitar à fiscalização migratória para adotar um sistema de vigilância abrangente. Para críticos, o avanço ocorre mais rápido do que os mecanismos de controle legal; para o governo, trata-se de uma modernização necessária para garantir eficiência e segurança nacional.
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