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quarta-feira, setembro 16, 2026

Sem vacina e com alta mortalidade, vírus Nipah entra no radar das autoridades

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As autoridades de saúde da Índia afirmam que não há, no momento, risco de um surto descontrolado do vírus Nipah, após a confirmação de dois casos no estado de Bengala Ocidental, no nordeste do país. Segundo o governo indiano, a resposta rápida de vigilância epidemiológica foi decisiva para impedir a propagação da doença.

Em nota divulgada na terça-feira (27), o Ministério da Saúde informou que aproximadamente 200 pessoas que tiveram contato direto com os infectados foram monitoradas e colocadas em quarentena preventiva. Todos os testes realizados até agora apresentaram resultado negativo. O quadro clínico dos pacientes não foi detalhado, mas as autoridades asseguram que a situação está sob acompanhamento contínuo.

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Doença grave e sem tratamento específico

O vírus Nipah é uma infecção viral considerada altamente letal e, até o momento, não possui vacina nem tratamento curativo. A abordagem médica se concentra no controle dos sintomas e na prevenção de complicações, já que a doença pode evoluir rapidamente para quadros graves, como insuficiência respiratória e encefalite.

A transmissão pode ocorrer de animais para humanos — principalmente por contato com morcegos ou porcos — ou entre pessoas, em situações de contato próximo. A ingestão de alimentos contaminados também é uma das vias conhecidas de infecção.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde, a taxa de letalidade do Nipah varia entre 40% e 75%, patamar superior ao de diversas doenças virais recentes. Por esse motivo, o vírus integra a lista de patógenos prioritários da entidade, ao lado de Ebola, Zika e covid-19, por seu potencial de gerar emergências sanitárias de grande escala.

Histórico de surtos recorrentes

Identificado pela primeira vez em 1999, o Nipah já provocou surtos recorrentes em países do Sul e Sudeste Asiático. Bangladesh e Índia concentram a maior parte dos registros ao longo dos anos. O episódio inicial, ocorrido na Malásia, resultou em mais de 100 mortes e levou ao sacrifício de milhares de animais para conter a transmissão.

Apesar da gravidade da doença, nenhum caso foi confirmado fora da Índia no atual episódio. Ainda assim, países da região adotaram medidas preventivas para reduzir riscos de importação do vírus.

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Reação internacional e medidas preventivas

Na Tailândia e na Indonésia, autoridades reforçaram a triagem de passageiros em aeroportos, com declarações de saúde, monitoramento visual e medição de temperatura de viajantes vindos da Índia. Em Bangkok, scanners térmicos foram instalados para voos procedentes de Bengala Ocidental.

O Myanmar recomendou que seus cidadãos evitem deslocamentos não essenciais à região afetada e orientou a busca por atendimento médico diante de sintomas suspeitos após viagens. O país também ampliou a vigilância sanitária em aeroportos e reforçou estoques de testes e insumos.

No Vietnã, o Ministério da Saúde determinou o fortalecimento da vigilância em fronteiras, unidades de saúde e comunidades, além de orientar cuidados mais rigorosos com a segurança alimentar.

Já a China anunciou a ampliação de ações preventivas em áreas fronteiriças, incluindo avaliações de risco, capacitação de profissionais de saúde e aumento da capacidade de testagem laboratorial.

Especialistas avaliam que, apesar da alta letalidade do vírus, a resposta rápida das autoridades e o histórico de contenção localizada reduzem significativamente a chance de um surto global neste momento.

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