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quinta-feira, setembro 17, 2026

IA deve atingir em cheio empregos de entrada e pressionar jovens no mercado de trabalho, alerta FMI

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A expansão acelerada da inteligência artificial tende a provocar uma reconfiguração profunda no mercado de trabalho mundial, com efeitos mais duros para trabalhadores jovens e profissionais em início de carreira. O alerta foi feito por Kristalina Georgieva, diretora-geral do Fundo Monetário Internacional, durante debates no Fórum Econômico Mundial, na Suíça.

Segundo Georgieva, estudos conduzidos pelo próprio FMI indicam que a inteligência artificial deve afetar de maneira direta ou indireta cerca de 40% dos empregos em escala global nos próximos anos. Em economias avançadas, esse percentual sobe para aproximadamente 60%, abrangendo desde ganhos de produtividade até mudanças estruturais ou eliminação de postos de trabalho.

Para a economista, o fenômeno equivale a um verdadeiro “tsunami” sobre o emprego, com capacidade de remodelar funções, carreiras e trajetórias profissionais em um curto espaço de tempo.

Jovens no centro da transformação

Embora a tecnologia já esteja trazendo ganhos concretos em alguns setores — como aumento de eficiência e salários mais altos em funções altamente qualificadas — Georgieva ressaltou que os empregos mais vulneráveis são justamente aqueles tradicionalmente ocupados por jovens. Funções de entrada, tarefas administrativas repetitivas e cargos de apoio aparecem entre os mais suscetíveis à automação.

De acordo com a chefe do FMI, cerca de 10% dos empregos nas economias desenvolvidas já passaram por algum tipo de aprimoramento com o uso de IA. No entanto, esse avanço não é distribuído de forma homogênea e pode dificultar o acesso de novos profissionais ao mercado formal, ampliando barreiras geracionais.

Ela também alertou que mesmo trabalhadores cujas funções não sejam substituídas integralmente podem enfrentar pressão salarial, caso a adoção da IA não resulte em ganhos reais de produtividade. Nesse cenário, a classe média estaria particularmente exposta.

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Tecnologia avança mais rápido que a regulação

Outro ponto de preocupação destacado por Georgieva é o descompasso entre a velocidade da inovação tecnológica e a capacidade de regulação dos Estados. Para ela, ainda não há clareza suficiente sobre como garantir que a IA seja segura, inclusiva e socialmente benéfica.

“A IA é real e está mudando o mundo mais rápido do que conseguimos acompanhar”, afirmou durante o painel, defendendo respostas mais ágeis de governos e instituições multilaterais.

Debate global sobre distribuição de ganhos

O impacto da inteligência artificial dominou parte das discussões em Davos, ao lado de temas como tensões geopolíticas e disputas comerciais. Representantes sindicais alertaram para o risco de cortes de empregos associados ao aumento de produtividade sem contrapartidas sociais.

Christy Hoffman, secretária-geral do sindicato global UNI, afirmou ao The Guardian que os ganhos gerados pela IA precisam ser distribuídos de forma mais equilibrada e que os trabalhadores devem participar das decisões sobre sua implementação.

Executivos do setor de tecnologia também demonstraram cautela. O CEO da Microsoft, Satya Nadella, disse que a inteligência artificial corre o risco de perder apoio social caso seus benefícios fiquem concentrados apenas em grandes empresas, sem impactos positivos mais amplos, como avanços na área da saúde.

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Cooperação internacional em risco

No mesmo debate, a presidente do Banco Central Europeu, Christine Lagarde, alertou que rivalidades econômicas e barreiras comerciais podem dificultar o desenvolvimento responsável da IA. Segundo ela, a tecnologia depende de grandes volumes de capital, energia e dados, tornando a cooperação internacional um fator-chave.

Apesar do cenário de incerteza, Lagarde adotou um tom cauteloso, defendendo a construção de novos arranjos globais para lidar com a transformação tecnológica, em vez de assumir um colapso inevitável da ordem econômica atual.

O consenso em Davos foi claro: a inteligência artificial já deixou de ser uma promessa futura e passou a ser uma força concreta — com potencial tanto para impulsionar o crescimento quanto para aprofundar desigualdades, especialmente entre gerações.

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