O governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), afirmou nesta quarta-feira (29) que a megaoperação realizada nos complexos da Penha e do Alemão foi um “sucesso” e voltou a defender a ação das forças de segurança. Durante coletiva de imprensa, ele rebateu indiretamente as críticas recebidas de integrantes do governo federal e fez um recado contundente:
“Não vou ficar respondendo ministro ou secretário que queira transformar a megaoperação em uma batalha política. O nosso único recado é: suma. Ou soma ou suma.”
Castro disse ainda que “o cidadão carioca não quer guerra política”, mas soluções concretas para o problema da violência. “A população quer uma solução para o dia a dia”, completou.
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Operação mais letal da história
A megaoperação deflagrada na manhã de terça-feira (28) deixou 132 mortos, segundo o balanço atualizado, e é considerada a mais letal da história do estado. O confronto foi direcionado ao Comando Vermelho (CV), principal facção criminosa do Rio, e tinha como objetivo desarticular a estrutura da organização e apreender armamentos pesados, incluindo fuzis de uso restrito.
Entre as vítimas estão quatro policiais, sendo dois civis e dois militares, mortos em combate. “De vítimas, só policiais”, afirmou Castro, classificando o dia da operação como “histórico no enfrentamento ao crime organizado”.
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Troca de acusações com o governo federal
O governador reiterou que não recebeu apoio federal durante a ação e disse que o estado foi deixado “sozinho” no enfrentamento ao crime. Em resposta, o ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, declarou ao Metrópoles que “não houve nenhum contato” por parte do governador sobre a operação.
Castro rebateu as críticas e afirmou ter recebido solidariedade de outros governadores, como Eduardo Leite (RS), Ibaneis Rocha (DF) e Tarcísio de Freitas (SP), que teriam parabenizado o trabalho das forças policiais.
Contexto da crise
A ofensiva, batizada de Operação Contenção, mobilizou cerca de 2,5 mil agentes da Polícia Civil, da Polícia Militar e do Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ). O governo fluminense afirma que o planejamento da ação levou cerca de um ano, e que o objetivo era conter o avanço do tráfico armado em comunidades estratégicas.
Enquanto o Palácio Guanabara classifica a operação como um marco na luta contra o narcotráfico, organizações de direitos humanos e autoridades federais cobram transparência e apuração independente das mortes.
O episódio reacendeu o debate sobre o uso da força nas operações policiais e a falta de coordenação entre os governos estadual e federal na política de segurança pública.
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