Durante discurso no 60º Congresso da União Nacional dos Estudantes (Conune), realizado nesta quinta-feira (17), em Goiânia, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o Brasil vai tributar empresas digitais norte-americanas que operam no país, como Google, Meta e outras gigantes do setor de tecnologia. A declaração foi uma resposta direta à ofensiva do governo dos Estados Unidos, que anunciou tarifas de 50% sobre produtos brasileiros a partir de agosto.
“Ele [Trump] disse que não quer que as plataformas digitais americanas sejam cobradas no Brasil. Pois eu digo: nós vamos sim julgar e cobrar impostos dessas empresas”, declarou Lula diante de milhares de estudantes. O presidente ressaltou que o país não abrirá mão de sua soberania nem cederá a pressões externas sobre sua política fiscal e regulatória. “Esse país é soberano porque o povo é soberano e tem orgulho do que é seu”, completou.
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O evento estudantil, considerado um dos maiores da América Latina, reúne mais de 15 mil universitários de diversas regiões do Brasil e ocorre em um estado onde a oposição teve ampla maioria nas eleições presidenciais de 2022. Lula obteve 41% dos votos válidos em Goiás, enquanto Jair Bolsonaro conquistou cerca de 60%.
Durante sua fala, o presidente também criticou o uso indevido das plataformas digitais em nome da liberdade de expressão. “Não aceitamos que se use a liberdade para mentir, agredir ou promover violência contra crianças, contra mulheres ou contra qualquer cidadão”, afirmou.
A tensão entre os dois países aumentou após o governo norte-americano abrir uma investigação comercial contra o Brasil com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA. Além de criticar o sistema de pagamentos Pix, o relatório menciona práticas comerciais consideradas desfavoráveis por Washington.
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Além do embate político e econômico, o Congresso da UNE também foi marcado por um grave acidente ocorrido na madrugada do dia anterior, na BR-153, em Porangatu (GO). Um ônibus, um micro-ônibus e uma carreta colidiram, deixando cinco mortos. Entre as vítimas estavam três estudantes da Universidade Federal do Pará (UFPA) e um motorista da instituição. O grupo se deslocava para participar do encontro estudantil.
As vítimas foram identificadas como Welfesom Campos Alves, Leandro Souza Dias e Ana Letícia Araújo Cordeiro — todos militantes da União da Juventude Rebelião (UJR) e da Unidade Popular (UP) — além de Ademilsom Militão, motorista da UFPA. O episódio comoveu os participantes do evento, que prestaram homenagens durante a programação.
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