18.2 C
São Paulo
quarta-feira, setembro 16, 2026

Bolsonaro admite que vai encarar julgamento no STF e diz não ter alternativa

Leia mais

O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) afirmou nesta quinta-feira (17) que não vê outra saída a não ser enfrentar o julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF), no processo que o acusa de liderar uma tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022. A declaração, feita durante uma visita ao Senado, marca um dos primeiros reconhecimentos públicos por parte do ex-mandatário sobre a gravidade de sua situação jurídica.

“Vou enfrentar o julgamento, não tenho alternativa”, disse Bolsonaro, ao ser abordado por jornalistas enquanto deixava o gabinete do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), seu filho.

A manifestação ocorre poucos dias após o procurador-geral da República, Paulo Gonet, entregar ao STF o parecer final na Ação Penal nº 2.668. No documento de 517 páginas, o chefe do Ministério Público Federal pede a condenação de Bolsonaro por cinco crimes: liderança de organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado e ameaça grave contra o patrimônio da União.

++ Jornalista da CNN causa polêmica ao chamar Bolsonaro de “Bozo” ao vivo

Além de Bolsonaro, outros aliados próximos também são réus no processo. A fase atual da ação judicial prevê a apresentação das alegações finais pelas defesas. O primeiro a se manifestar será Mauro Cid, ex-ajudante de ordens e delator no caso. Após o prazo de Cid, os demais envolvidos — incluindo Bolsonaro — terão 15 dias para enviar seus argumentos ao STF. A expectativa é de que essa etapa se encerre até 11 de agosto.

Mesmo com o processo em andamento, Bolsonaro voltou a tocar no tema da crise comercial com os Estados Unidos. Reagindo à imposição de uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros anunciada por Donald Trump, o ex-presidente afirmou que gostaria de negociar pessoalmente com o norte-americano — mas ironizou o fato de ainda estar com o passaporte retido por ordem judicial.

“Se o Lula me der meu passaporte, eu negocio com o Trump”, afirmou. A fala ignora, no entanto, que a decisão sobre a devolução do documento cabe exclusivamente ao Supremo Tribunal Federal, e não ao atual presidente da República.

++ Moraes reage a defensor de réu do 8 de Janeiro e encerra participação após embate em audiência

A apreensão do passaporte de Bolsonaro foi determinada pela Corte em fevereiro de 2023, como parte das medidas cautelares ligadas às investigações sobre a tentativa de subversão democrática. Desde então, o ex-presidente está impedido de sair do país.

A declaração de Bolsonaro ocorre em um momento de intensificação do cerco judicial. Com o julgamento previsto para ocorrer entre agosto e setembro, a cúpula do STF se prepara para um dos casos mais emblemáticos desde o fim da ditadura militar — um processo que pode definir não apenas o futuro político do ex-presidente, mas também os limites institucionais da democracia brasileira.

Não deixe de nos seguir no Instagram para mais notícias da Pardal Tech

- Advertisement -spot_img
- Advertisement -spot_img

Últimas notícias