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quarta-feira, setembro 16, 2026

Bolsonaro diz que criou o Pix e se oferece para negociar com Trump em meio a crise comercial

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Em meio à tensão comercial entre Brasil e Estados Unidos, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) afirmou nesta quinta-feira (17) que o Pix é uma criação de seu governo e se colocou à disposição para negociar diretamente com o presidente norte-americano Donald Trump, com o objetivo de evitar a aplicação de uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros.

Durante visita ao Senado, Bolsonaro atribuiu ao Pix um impacto negativo para o sistema bancário, sugerindo que a investigação aberta pelos EUA contra o Brasil estaria ligada a interesses financeiros prejudicados. “O Pix tem nome: Jair Bolsonaro. Os bancos perderam comigo, com Pix, TED e DOC, mais de R$ 20 bilhões. E eu não taxei o Pix”, declarou.

Apesar da afirmação, o projeto do Pix começou ainda no governo de Michel Temer (MDB), em 2018, sob a coordenação do Banco Central. O sistema foi lançado oficialmente em novembro de 2020, já durante a gestão Bolsonaro, mas com base em estudos e planejamento iniciados anteriormente.

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A investigação americana, conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR), menciona o Pix como uma das práticas potencialmente desleais no setor de pagamentos. A medida integra um pacote de sanções anunciado pelo governo Trump, que prevê tarifas de 50% sobre produtos brasileiros a partir de 1º de agosto.

Mesmo sendo investigado por tentativa de golpe e com o passaporte apreendido desde fevereiro pela Polícia Federal, Bolsonaro afirmou estar disposto a intermediar uma solução com os EUA. “Acho que teria sucesso numa audiência com o presidente Trump. Estou à disposição. Se me derem um passaporte, eu negocio”, disse.

O ex-presidente também elogiou o filho, Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que está nos Estados Unidos desde março. Segundo ele, o deputado licenciado tem bom trânsito entre aliados de Trump e poderia atuar como canal de interlocução. “Ele tem portas abertas no governo Trump, conhece dezenas de parlamentares e está trabalhando pela nossa liberdade”, afirmou. Questionado sobre a participação do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, na crise diplomática, Bolsonaro minimizou: “Louvo Tarcísio, mas Trump não vai ceder a um estado. É uma questão do Brasil”.

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Apesar do tom crítico, Bolsonaro isentou-se de responsabilidade sobre o conflito. “Eu sou o culpado? Trump está fazendo isso com o mundo todo”, concluiu. A crise se insere em um cenário de crescente tensão diplomática e pode ter impactos significativos sobre as exportações brasileiras, caso as tarifas sejam mantidas.

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