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quarta-feira, setembro 16, 2026

Lobo-terrível? Empresa recua e admite que animal criado é um lobo-cinzento modificado

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A Colossal Biosciences voltou atrás e reconheceu que o animal anunciado como um “lobo-terrível ressuscitado” é, na realidade, um lobo-cinzento com cerca de 20 alterações genéticas. A informação foi confirmada pela cientista-chefe da empresa, Beth Shapiro, em entrevista à revista New Scientist, após semanas de críticas da comunidade científica e desconfiança quanto à veracidade do feito.

Segundo Shapiro, não é possível recriar com exatidão uma espécie extinta, como o lobo-terrível — que desapareceu há aproximadamente 10 mil anos. “É transformador e uma ciência inovadora — só não é desextinção. Nossos animais são lobos-cinzentos com 20 alterações genéticas clonadas. Dissemos isso desde o começo”, afirmou.

Diferença entre expectativa e realidade

Em abril, a Colossal havia divulgado que os filhotes Romulus, Remus e Khaleesi seriam os primeiros representantes da espécie restaurada por meio da chamada “ciência da desextinção”. O anúncio gerou entusiasmo, mas também ceticismo. Agora, a própria empresa admite que o termo “lobo-terrível” foi usado de forma “coloquial”.

Ainda assim, em publicações recentes nas redes sociais e no site oficial, a companhia continuava se referindo aos animais como lobos-terríveis, o que intensificou o debate sobre transparência e responsabilidade científica.

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Alvo de críticas

Para especialistas, o uso publicitário do termo pode confundir o público. “Há uma séria inconsistência entre o conteúdo técnico e o material promocional da empresa”, criticou Richard Grenyer, pesquisador da Universidade de Oxford. “Eles não trouxeram o lobo-terrível de volta à vida, e agora isso está claro.”

O projeto da Colossal faz parte de uma linha de pesquisa mais ampla que também busca, por exemplo, recriar o mamute-lanoso. A ideia de restaurar espécies extintas, embora fascinante, ainda enfrenta limitações éticas, técnicas e ecológicas.

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O que foi (e o que não foi) recriado

O lobo-terrível original foi um dos maiores predadores do período Pleistoceno, predominando na América do Norte. Diferente do lobo-cinzento, ele tinha estrutura óssea mais robusta e adaptações específicas para caça de grandes presas. A Colossal utilizou engenharia genética para inserir genes compatíveis com traços desses lobos extintos em embriões de lobos-cinzentos.

Apesar das promessas iniciais, os filhotes recriados não são clones nem cópias genéticas fiéis do animal extinto — mas sim híbridos modernos com características inspiradas em seu ancestral.

Onde estão os filhotes

Os animais vivem atualmente em uma área de 2.000 acres nos Estados Unidos, onde são acompanhados por uma equipe multidisciplinar. A empresa ainda não detalhou os próximos passos do projeto nem os impactos ecológicos ou científicos da experiência.

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