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segunda-feira, outubro 26, 2026

Lágrimas, aplausos a Janones e gritos contra Flávio marcam vitória de Lula

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Lula é reeleito após virada histórica no segundo turno (Foto: Instagram)

A reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi acompanhada por lágrimas, aplausos e manifestações contra Flávio Bolsonaro (PL) nos bastidores da apuração, em um hotel de São Paulo, neste domingo, 25. O auditório ficou lotado, e apoiadores cantaram jingles da campanha. Alguns aliados não conseguiram entrar por falta de espaço. O deputado federal André Janones (Rede) foi aplaudido, e a primeira-dama Janja se emocionou ao lado do presidente.

Com 99% das urnas apuradas, Lula foi reeleito com 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% de Flávio Bolsonaro, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A vitória representou uma virada inédita desde a redemocratização, em 1989: pela primeira vez nesse período, um candidato que ficou atrás no primeiro turno reverteu o resultado e venceu no segundo.

A chegada de Lula ao evento foi recebida com aplausos intensos e cantos de músicas tradicionais da campanha. Na plateia, muitos apoiadores choraram durante a celebração. Janja permaneceu ao lado do marido, acompanhando a comemoração com integrantes da campanha, aliados políticos e apoiadores.

A entrada de André Janones no palco também foi marcada por aplausos. O deputado foi chamado antes de Lula mencionar sua participação na campanha. A reação demonstrou o reconhecimento dos presentes por sua mobilização digital em favor do petista. No segundo turno, Janones ganhou destaque nas redes sociais e criou o grupo “Exército de Lula”, no WhatsApp, que reuniu mais de 10 milhões de pessoas e ampliou o engajamento dos apoiadores.

A mobilização digital ganhou força na reta final da disputa, junto às manifestações de rua e às iniciativas para atrair eleitores que não haviam votado no primeiro turno. No hotel, também houve xingamentos e gritos contra Flávio quando imagens do senador foram exibidas. Na saída do prédio, apoiadores continuaram cantando e provocando o adversário, com frases como “Flávio vai morar com o pai”. A referência era à prisão de Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado e à investigação da Polícia Federal sobre Flávio no caso Master.

Marina Silva, ministra e ex-ministra do Meio Ambiente, celebrou o resultado e disse estar emocionada e feliz. Ela considerou a vitória importante para a proteção dos povos indígenas e para a continuidade da agenda ambiental. Durante a campanha, lideranças indígenas e ambientalistas haviam manifestado preocupação com os possíveis efeitos de uma vitória de Flávio nas políticas de proteção territorial e ambiental. Organizações socioambientais e representantes indígenas defenderam a continuidade da demarcação de áreas e da proteção dos territórios tradicionais. Os candidatos também divergiram sobre o papel do Estado na proteção ambiental e dos povos originários.

No primeiro turno, em 4 de outubro, Flávio terminou à frente, com 47,03% dos votos válidos, enquanto Lula obteve 45,16%. Até então, desde a redemocratização, quem liderava a primeira etapa e avançava ao segundo turno havia vencido a disputa final. A exceção foi a eleição de Fernando Henrique Cardoso no primeiro turno, em 1994 e 1998. Ao reverter a desvantagem, Lula quebrou essa sequência e conquistou um quarto mandato presidencial, feito inédito no país. A campanha também foi marcada pela mobilização nas ruas e nas redes, pela atuação de apoiadores no ambiente digital e pela busca de votos entre eleitores de outras candidaturas.

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