
Trump e Putin após anúncio da suspensão de sanções econômicas dos EUA contra a Rússia (Foto: Instagram)
No sábado (17), o Kremlin saudou como “histórico” o anúncio de Donald Trump sobre a suspensão de sanções econômicas de grande impacto contra a Rússia. Kirill Dmitriev, principal assessor do presidente Vladimir Putin para assuntos econômicos internacionais, destacou que a reversão, aprovada pelo Congresso americano e adiada dois dias antes de entrar em vigor, marca um revés diplomático para Kiev.
Na sexta-feira, Trump assinou um decreto que revogou sanções e tarifas alfandegárias projetadas para impactar severamente as receitas do setor energético russo. Essas medidas faziam parte de um pacote criado pelo Congresso sob a Lei Graham e tinham como objetivo punir Moscou pela ofensiva na Ucrânia, mas tiveram sua aplicação interrompida pela Casa Branca em um ato que surpreendeu analistas e agitou o cenário diplomático.
O episódio ocorre em meio ao quinto ano da ofensiva militar russa contra a Ucrânia, conflito que já provocou centenas de milhares de mortes e deslocou milhões de pessoas. As declarações favoráveis de Trump a Moscou reforçaram o desconforto de Volodymyr Zelensky, que recebeu a suspensão das sanções como uma traição, no momento em que Kiev busca apoio internacional para resistir à invasão iniciada em 2022.
Batizada em homenagem ao senador republicano Lindsey Graham, falecido em julho, a Lei Graham foi promulgada em setembro com o objetivo de punir o setor energético russo e desmantelar a chamada “frota fantasma” usada por Moscou para burlar restrições globais. Além disso, a legislação previa atingir diretamente Vladimir Putin e outras autoridades de alto escalão do país.
Pelo texto original, o presidente americano teria poder para impor tarifas de até 100% sobre as importações de petróleo e gás provenientes da Rússia em cinco dos maiores mercados mundiais, entre eles China e Índia. Essas sanções visavam reduzir drasticamente as receitas do Kremlin e pressionar sua economia de forma sem precedentes.
Em suas redes sociais, Kirill Dmitriev afirmou que a suspensão das medidas evitaria “danos sérios à economia americana e aos mercados globais”. Para o assessor, as tarifas planejadas colocariam em risco cadeias de suprimentos e elevadas oscilações nos preços internacionais de energia.
A decisão de Trump aprofunda a crise diplomática entre Washington e Kiev. Sentindo-se traído pelas sinalizações de proximidade com Moscou, Zelensky solicitou aos países europeus cerca de US$ 70 bilhões adicionais para manter o financiamento da resistência ucraniana. Sem esses recursos, Kiev teme perder fôlego para sustentar sua defesa contra as tropas russas que avançam no campo de batalha.



