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sexta-feira, outubro 16, 2026

Manifestação de universitários termina em confronto com a polícia e deixa 25 detidos na Argentina

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Manifestante arremessa bomba de gás em confronto na 5ª Marcha Federal Universitária em Buenos Aires (Foto: Instagram)

A 5ª Marcha Federal Universitária, convocada pelo Conselho Interuniversitário Nacional, reuniu milhares de professores, estudantes e funcionários em Buenos Aires na quinta-feira (15) para defender o financiamento das instituições públicas de ensino superior. A passeata, que partiu em direção ao Congresso, contou com o apoio de diversos setores da sociedade civil e foi marcada por tumultos quando manifestantes e policiais se enfrentaram.

Nos arredores do Parlamento argentino, a polícia empregou jatos d’água e gás lacrimogêneo para dispersar parte do grupo, enquanto alguns participantes revidaram lançando pedras e pedaços de mobiliário urbano. Após o protesto, os confrontos continuaram, resultando em 25 detidos e oito agentes feridos, conforme informou ao AFP o Ministério da Segurança Nacional.

Os manifestantes exigiam a aplicação da Lei de Financiamento Universitário, sancionada em agosto de 2025 para reajustar verbas e salários conforme a inflação. O governo de Javier Milei suspendeu a norma sob o argumento de preservar o superávit fiscal, embora entidades do setor afirmem que os recursos já sofreram uma queda real de 40,5%, provocando a saída de cerca de 10 mil docentes e pesquisadores.

"A mesma gente violenta de sempre quer transformar as ruas em zona sem lei", publicou no X a ministra da Segurança, Alejandra Monteoliva, criticando os atos de vandalismo. Na visão do Executivo, a legislação ficaria sem fonte orçamentária definida e por isso segue sem execução, mesmo após decisões judiciais que determinam seu cumprimento.

Levantamento do Centro de Pesquisa de Economia Nacional da Universidade de Buenos Aires aponta essa redução de 40,5% nas dotações orçamentárias na comparação entre o primeiro semestre de 2024 e o mesmo período de 2023. Com bandeiras de centros estudantis e sindicatos de professores, os participantes erguiam cartazes como "Milei, cumpra a lei" e "A universidade pública é um direito, não um privilégio".

Francisca Staiti, secretária-geral do sindicato Conadu Histórica, resumiu a insatisfação: "Estamos exigindo que nos paguem o que nos devem", ressaltando que, diante dos cortes, muitos docentes acumulam funções ou deixam suas posições. Relatórios do setor calculam que cerca de 10 mil profissionais tenham abandonado suas atividades desde o início do governo Milei.

A estudante de Serviço Social Victoria Coronel, da Universidade de La Matanza, acrescentou que as restrições orçamentárias também afetam a infraestrutura: "Algumas coisas quebram e demoram para ser consertadas". Esta foi a quinta grande mobilização nacional de docentes e discentes universitários desde dezembro de 2023, com apoio de partidos de oposição, sindicatos, organizações sociais e aposentados, enquanto o Congresso avalia a revogação de um amplo decreto presidencial.

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