
Desenho judicial mostra Nicolás Maduro e Cilia Flores durante audiência em Nova York (Foto: Instagram)
Na quinta-feira (16/10), em um tribunal de Nova York, o ex-presidente venezuelano Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, declararam-se inocentes das acusações de tortura apresentadas por promotores dos Estados Unidos. Capturados em janeiro em Caracas por forças especiais americanas, ambos também enfrentam investigações por narcotráfico e por liderar um esquema de repressão estatal violenta para manter-se no poder. O juiz adiou o início do julgamento principal para 14 de junho de 2027.
Ao ser chamado a responder à denúncia, Maduro adotou tom combativo e classificou as alegações como “acusação falsa” e “testemunhos falsos”. Ambos foram levados ao tribunal com tornozeleiras eletrônicas para responder a uma queixa reformulada, que amplia as acusações iniciais de tráfico de drogas ao suposto envolvimento em tortura de dezenas de vítimas — entre elas três cidadãos americanos — durante o período de 2013 a 2026.
Segundo a denúncia, Maduro supervisionava um sistema de tortura que incluía espancamentos, asfixia e aplicação de choques elétricos. Ele teria recomendado pessoalmente técnicas de tortura, recebido atualizações sobre o estado dos detidos e ameaçado matar o filho de um prisioneiro como forma de intimidação. Flores, de 70 anos e ex-procuradora-geral da Venezuela, é apontada como peça-chave no desenvolvimento e na execução desse aparato repressivo.
Perguntados pelo juiz, ambos confirmaram ter recebido em espanhol a cópia da nova acusação e afirmaram estar cientes das imputações. Maduro afirmou que as supostas provas já eram conhecidas dele devido a “ataques anteriores”. Flores declarou-se “completamente inocente” e “não culpada” das novas acusações. Essa foi uma das raras oportunidades em que suas falas puderam ser ouvidas desde a transferência deles para uma prisão no Brooklyn, em Nova York.
Críticos da operação de captura em Caracas alegam violação do direito internacional. Organizações de direitos humanos acusam autoridades venezuelanas de tortura há anos, mas este é o primeiro processo judicial internacional em que Maduro pode ser responsabilizado diretamente. Ele também é investigado pelo Tribunal Penal Internacional por suspeita de crimes contra a humanidade, embora ainda não exista mandado de prisão emitido pelo tribunal em Haia.
Processos criminais nos Estados Unidos contra autoridades estrangeiras são extremamente raros. Exemplos recentes incluem o filho do ex-presidente liberiano Charles Taylor e cidadãos russos acusados de crimes de guerra na Ucrânia. Além das imputações de tortura e narcotráfico, Maduro e Flores são acusados de conspiração para cometer narcoterrorismo, importação de cocaína, posse e conspiração para posse de armas de destruição em massa. A próxima audiência ficou agendada para 7 de junho de 2027, e a defesa solicitou mais prazo para preparar a resposta às acusações.



