18.9 C
São Paulo
sexta-feira, outubro 16, 2026

Cúpula da UE entra no segundo dia com debate sobre Ucrânia, energia e orçamento

Leia mais


Volodymyr Zelensky participa de reunião com líderes europeus em Bruxelas (Foto: Instagram)

A Cúpula do Conselho Europeu alcançou o segundo dia de negociações em Bruxelas após uma pausa perto da meia-noite, com retomada prevista para sexta-feira, 16. Além dos impasses orçamentários, o encontro recebeu a participação do presidente Volodymyr Zelensky, que trouxe à mesa o apoio à Ucrânia e o tema da imigração.

Um dos principais pontos de discordância foi o Quadro Financeiro Plurianual (MFF), que estabelece o orçamento da União Europeia para o período de 2028 a 2034. Ex-primeiro-ministro de Portugal, António Costa defende a conclusão do acordo até o fim do ano para permitir ao Parlamento Europeu analisar o texto em 2027. No entanto, nações como Itália argumentam que o conteúdo é mais relevante do que o cronograma.

O temor de atrasos se intensifica diante das eleições previstas em vários Estados-membros em 2024, entre eles França, Itália, Polônia, Finlândia, Estônia, Eslováquia e Grécia. Na França, a candidata de extrema-direita Marine Le Pen aparece como favorita e propôs limitar a contribuição líquida do país a € 5 bilhões por ano, bem abaixo dos cerca de € 8 bilhões atuais, o que poderia gerar impacto significativo no orçamento comum.

As negociações mostram interesses divergentes: Espanha e Itália defendem maior verba para a agricultura, enquanto os Estados Bálticos priorizam investimentos em defesa. Há também um grupo liderado pela Alemanha, conhecido como “time dos austeros”, que insiste em cortes significativos. A Irlanda, na presidência rotativa do Conselho, apresentou uma proposta de redução de € 141 bilhões, mas teve o plano rejeitado pelo conjunto dos líderes.

Para destravar o impasse, António Costa deve apresentar nas próximas semanas um novo esboço que inclua um pacote de impostos europeus destinados a reforçar as receitas, além de maior flexibilidade para imprevistos como crises sanitárias e conflitos, lições extraídas da pandemia de Covid-19 e dos conflitos na Ucrânia e no Oriente Médio.

No campo energético, a instabilidade no Oriente Médio elevou os preços do petróleo e do gás, pressionando famílias e empresas ao se aproximar o inverno europeu. O principal debate recaiu sobre o Sistema de Comércio de Emissões (ETS), no qual indústrias compram licenças para poluir. Alguns países defendem ajustar a precificação para tornar o mercado de carbono mais estável e reduzir a volatilidade dos preços no curto prazo, sem, porém, enfraquecer as metas climáticas.

Até o momento, não houve decisão definitiva sobre o ETS, mas há expectativa de que medidas sejam adotadas para diminuir oscilações no mercado de carbono e aliviar custos. Como não se chegou a um consenso sobre o orçamento, os chefes de Estado e de Governo agendaram uma cúpula extraordinária para 26 de novembro, a fim de concluir as negociações.

- Advertisement -spot_img
- Advertisement -spot_img

Últimas notícias