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domingo, agosto 16, 2026

Cientistas criam exame de sangue que detecta câncer e mostra onde ele começou

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Pesquisadores da Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA) desenvolveram o MethylScan, um exame de sangue experimental que busca identificar sinais de diferentes tipos de câncer e doenças que afetam órgãos a partir de uma única amostra. O método foi avaliado em mais de mil pessoas e utiliza alterações químicas no DNA para procurar indícios de problemas em diferentes tecidos.

A tecnologia analisa fragmentos de DNA livre de células, conhecidos como cfDNA, que chegam à corrente sanguínea quando as células do organismo morrem. O material pode carregar informações sobre diferentes órgãos, permitindo que os pesquisadores procurem sinais associados a alterações no organismo.

Em vez de procurar apenas mutações genéticas específicas, como ocorre em alguns exames de biópsia líquida, o MethylScan observa a chamada metilação do DNA. Essas marcações químicas ajudam a regular a atividade dos genes e apresentam padrões diferentes conforme o tecido. Alterações nesses padrões podem indicar que uma célula está doente ou se tornou cancerosa.

Um dos desafios do método é a grande quantidade de DNA proveniente de células sanguíneas saudáveis. Segundo os pesquisadores, entre 80% e 90% do DNA circulante no sangue tem essa origem. Para reduzir esse material antes da análise, a equipe utilizou enzimas e concentrou o sequenciamento em regiões do genoma relacionadas a órgãos sólidos.

O estudo analisou amostras de sangue de 1.061 pessoas, incluindo pacientes com câncer de fígado, pulmão, ovário e estômago, além de participantes com diferentes doenças hepáticas, pessoas com nódulos pulmonares benignos e indivíduos saudáveis. Algoritmos de aprendizado de máquina foram utilizados para interpretar os padrões encontrados.

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Nos testes, o MethylScan identificou cerca de 63% dos casos de diferentes tipos de câncer, considerando todos os estágios, com especificidade de 98%. Entre os tumores em estágio inicial, a taxa de detecção foi de aproximadamente 55%.

Em pessoas consideradas de alto risco para câncer de fígado, como pacientes com cirrose ou hepatite B, o exame identificou quase 80% dos casos, com especificidade pouco acima de 90%.

Além de apontar a presença de alterações, o método conseguiu estimar de qual órgão vinha o sinal identificado. Essa característica pode ajudar a direcionar exames complementares quando há um resultado positivo. Nos casos de doenças hepáticas analisados, o teste também diferenciou condições como hepatite viral e esteatose hepática metabólica, com cerca de 85% de acerto.

Apesar dos resultados, o MethylScan ainda não é um exame pronto para rastreamento da população. Os próprios pesquisadores consideram os resultados preliminares e apontam a necessidade de estudos clínicos maiores para avaliar o desempenho da tecnologia em situações reais.

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O custo também aparece como um dos pontos estudados pela equipe. Segundo os pesquisadores, uma amostra processada com profundidade de 300 vezes exige cerca de 5 gigabytes de dados, com custo de sequenciamento inferior a US$ 20.

O MethylScan faz parte de uma área em expansão de pesquisas sobre biópsia líquida para detecção de múltiplos tipos de câncer. No Brasil, essa tecnologia já é utilizada em situações mais específicas, como o acompanhamento de pacientes em tratamento oncológico, mas ainda não há um teste equivalente ao MethylScan validado para rastreamento amplo da população.

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