
Terminal de armazenamento de petróleo à beira-mar (Foto: Instagram)
A escalada das tensões no Oriente Médio voltou a dominar os mercados financeiros nesta quinta-feira (23/7). O agravamento dos conflitos elevou os preços do petróleo para além dos US$ 100 por barril, fortaleceu o dólar globalmente e aumentou a pressão sobre ativos considerados mais arriscados, como ações de mercados emergentes.
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Conforme Luca Girardi, analista de investimentos da Nomad, o movimento no câmbio foi principalmente resultado do cenário internacional. Após três quedas consecutivas, o dólar voltou a subir frente ao real, aproximando-se de R$ 5,10.
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“O movimento foi predominantemente externo, com o real seguindo o enfraquecimento generalizado das moedas frente ao dólar em um cenário de aversão ao risco”, explicou Girardi.
O fortalecimento do dólar ocorreu junto à alta do índice DXY, que mede o desempenho da moeda americana frente a uma cesta de moedas fortes, avançando cerca de 0,3% ao longo do dia.
O principal fator por trás da mudança de humor dos investidores foi a deterioração do cenário geopolítico no Oriente Médio.
Girardi destacou que os houthis, grupo alinhado ao Irã, afirmaram ter atacado dois navios-tanque sauditas durante uma operação de bloqueio naval contra a Arábia Saudita. O episódio aumentou os temores de interrupções ainda maiores no abastecimento global de petróleo.
O mercado já vinha monitorando os impactos das restrições impostas pelo Irã no Estreito de Ormuz, uma das principais rotas marítimas para o transporte de petróleo. Com a possibilidade de um novo gargalo logístico, os preços da commodity dispararam pelo quinto pregão consecutivo.
“A situação fez os preços do petróleo dispararem pelo quinto pregão consecutivo, com os futuros de Brent ultrapassando US$ 100 o barril”, acrescentou Girardi.
A alta reacendeu preocupações com a inflação global, uma vez que o petróleo influencia diretamente os custos de transporte, energia e produção em diversos países.
O temor de uma inflação mais persistente levou investidores a buscar proteção em ativos considerados mais seguros, especialmente o dólar.
Segundo o analista da Nomad, o movimento afetou tanto moedas desenvolvidas quanto emergentes.
“O cenário reacendeu temores inflacionários, reforçando a busca por proteção e fortalecendo o dólar frente à maior parte das moedas, do euro e da libra a pares emergentes como o peso chileno, o peso mexicano e o próprio real”, afirmou ele.
Além da valorização do dólar, os mercados passaram a revisar expectativas sobre a política monetária das principais economias. A avaliação predominante é que um petróleo mais caro pode dificultar novos cortes de juros por parte dos bancos centrais, especialmente nos Estados Unidos.
No Brasil, o ambiente internacional deteriorado pesou mais do que os efeitos positivos da alta do petróleo sobre empresas exportadoras.
Embora Petrobras, PetroRio e outras companhias do setor tenham se beneficiado da disparada da commodity, o Ibovespa terminou o dia em queda, acompanhando o movimento observado nas principais bolsas globais.
O resultado reflete uma dinâmica comum em momentos de estresse geopolítico: investidores reduzem exposição a mercados considerados mais arriscados e direcionam recursos para ativos de proteção, como dólar, títulos do Tesouro americano e ouro.
Nos próximos dias, o foco dos mercados continuará no tema. Novos sinais de redução das tensões podem aliviar a pressão sobre o petróleo e favorecer ativos de risco, mas novos ataques envolvendo Irã, Arábia Saudita ou aliados regionais tendem a manter elevada a volatilidade nos mercados globais.



