
Tensões EUA-Irã elevam petróleo, dólar e juros futuros (Foto: Instagram)
A intensificação das tensões entre Estados Unidos e Irã voltou a impactar os mercados nesta quinta-feira (23/7). O conflito resultou em um aumento dos preços do petróleo no mercado internacional, fortalecimento do dólar e avanço dos juros futuros, devido ao medo de que a crise provoque uma nova onda de inflação global.
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De acordo com Vitor Kayo, economista sênior da Nomad, a moeda americana se valorizou durante a manhã tanto no Brasil quanto no exterior. Esse movimento é impulsionado pela busca de investidores por ativos mais seguros em meio à crescente incerteza geopolítica.
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"O dólar ampliou seus ganhos durante a manhã, impulsionado pela escalada do conflito entre Estados Unidos e Irã e pelo fortalecimento da moeda no exterior", explicou o especialista.
O barril de petróleo Brent também registrou alta, aproximando-se dos US$ 100, reacendendo preocupações sobre uma possível pressão inflacionária global, o que pode limitar cortes de juros nas principais economias.
Nos mercados de renda fixa, os juros futuros brasileiros subiram, acompanhando o aumento dos rendimentos dos títulos do Tesouro americano, conhecidos como Treasuries. O petróleo voltou a ser o foco das atenções, com o barril tipo Brent ultrapassando a marca de US$ 100, aumentando as preocupações sobre o impacto da guerra na oferta global de energia.
Para Kayo, o principal temor do mercado é que o aumento dos preços da commodity reacenda pressões inflacionárias em um momento em que bancos centrais ao redor do mundo discutem a possibilidade de reduzir os juros.
Na Bolsa brasileira, o cenário foi misto. Apesar da maior aversão ao risco global, Petrobras e Vale conseguiram sustentar parte do índice devido à valorização das commodities. Os ganhos dessas duas gigantes ajudaram o Ibovespa a manter o patamar dos 177 mil pontos durante boa parte da manhã.
Ainda assim, o principal índice da Bolsa oscilou entre altas e baixas, pressionado pelo desempenho negativo de ações mais sensíveis aos juros, como bancos e empresas do varejo. "O Ibovespa oscilou entre altas e quedas e defendia o nível de 177 mil pontos, sustentado por Petrobras e Vale, favorecidas pela commodity, enquanto ações de bancos e varejistas recuavam", afirmou Kayo.
Conforme o economista, o mercado tem dado mais atenção aos riscos econômicos associados ao conflito do que aos possíveis benefícios que um petróleo mais caro poderia trazer para países exportadores de commodities, como o Brasil.
"O mercado tem dado mais peso ao temor inflacionário da guerra do que ao efeito positivo do petróleo sobre os termos de troca do Brasil." Na avaliação dos investidores, uma inflação global mais persistente pode atrasar cortes de juros nos Estados Unidos e em outras economias desenvolvidas, reduzindo o apetite por ativos de risco e fortalecendo o dólar nos mercados internacionais.



