O senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), voltou a fazer questionamentos sobre o sistema eletrônico de votação brasileiro durante um encontro com representantes diplomáticos realizado em Brasília. Em sua fala, ele mencionou uma informação que já havia sido desmentida pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em ocasiões anteriores.
Durante o evento, que reuniu embaixadores, cônsules e representantes de mais de 40 países, Flávio afirmou que as urnas eletrônicas utilizadas nas eleições brasileiras teriam ligação com equipamentos da empresa venezuelana Smartmatic, citando um suposto relatório da Agência Central de Inteligência (CIA) dos Estados Unidos relacionado às eleições da Venezuela.
Sem apresentar provas, o senador sugeriu que haveria relação entre as tecnologias utilizadas nos dois países e pediu que a comunidade internacional acompanhasse de perto o processo eleitoral brasileiro.
Pedido por observadores internacionais
Na reunião, Flávio Bolsonaro solicitou que os países enviem o maior número possível de observadores estrangeiros para acompanhar as eleições deste ano no Brasil.
Segundo ele, além da presença tradicional de missões de observação eleitoral, seria importante contar com especialistas em tecnologia para analisar o funcionamento do sistema eletrônico de votação e contribuir para o debate sobre transparência e segurança do processo.
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TSE nega qualquer vínculo com empresa venezuelana
As declarações do senador fazem referência a uma alegação que o Tribunal Superior Eleitoral já rebateu diversas vezes.
Em nota publicada originalmente em 2020 e atualizada em julho de 2026, o TSE afirma que a Smartmatic não fabrica, não fornece e nunca desenvolveu o software das urnas eletrônicas brasileiras.
De acordo com a Justiça Eleitoral, todo o projeto tecnológico das urnas foi desenvolvido no Brasil e é administrado exclusivamente pelo próprio tribunal.
O órgão também esclarece que a empresa prestou, no passado, apenas serviços relacionados à conexão de dados e voz e ao treinamento de equipes de suporte técnico, sem qualquer acesso ao sistema de votação ou participação na programação dos equipamentos.
Além disso, o TSE informa que a Smartmatic participou de uma licitação para fabricar urnas eletrônicas em 2020, mas não venceu o processo.
Sistema é desenvolvido pela Justiça Eleitoral
O tribunal reforça que o sistema eletrônico de votação brasileiro opera em ambiente próprio, com comunicação criptografada e sem conexão direta com a internet durante a votação.
Segundo o TSE, ao longo de mais de duas décadas de utilização, o modelo passou por sucessivos testes e auditorias voltados à verificação da segurança e da integridade do processo eleitoral.
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Campanha diz que senador não questionou a integridade das eleições
Após a repercussão das declarações, a campanha de Flávio Bolsonaro divulgou uma nota afirmando que o senador não colocou em dúvida a integridade do sistema eleitoral brasileiro, sustentando que sua manifestação teve como objetivo defender maior transparência e incentivar a presença de observadores internacionais.
Discurso relembra episódio de 2022
O posicionamento de Flávio Bolsonaro remete ao episódio protagonizado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro em julho de 2022, quando reuniu embaixadores para apresentar críticas ao sistema eleitoral brasileiro e levantar suspeitas sobre as urnas eletrônicas sem apresentar evidências.
Na ocasião, o Tribunal Superior Eleitoral concluiu que houve abuso de poder político e uso indevido dos meios de comunicação, decisão que resultou na inelegibilidade do ex-presidente por oito anos.
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