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sábado, setembro 12, 2026

CNI mantém previsão de crescimento do PIB em 2% e eleva projeção da inflação para 5%

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A Confederação Nacional da Indústria (CNI) manteve a estimativa de crescimento de 2% para a economia brasileira em 2026, mas revisou para cima a expectativa de inflação e passou a prever que os juros permanecerão elevados por mais tempo. A avaliação faz parte do Informe Conjuntural do segundo trimestre, divulgado nesta terça-feira (22).

Segundo a entidade, o avanço da atividade econômica deve continuar sendo impulsionado principalmente pela indústria extrativa e pela agropecuária. Em contrapartida, fatores como inflação persistente, crédito caro e desafios fiscais seguem limitando uma expansão mais robusta da economia.

Inflação deve ficar acima da previsão anterior

A CNI elevou sua projeção para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que passou de 4,4% para 5% em 2026. A revisão reflete a expectativa de uma pressão maior sobre o custo de vida ao longo do ano.

Entre os fatores apontados para esse cenário estão a alta dos preços de combustíveis e alimentos, influenciada pelas tensões geopolíticas no Oriente Médio, além do aumento contínuo dos custos de serviços, como saúde, educação, transporte, aluguel e alimentação fora de casa.

Com a inflação acima do esperado, a entidade avalia que o Banco Central terá margem reduzida para acelerar o ciclo de queda da taxa Selic.

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Indústria extrativa e agro sustentam crescimento

A projeção para o crescimento da indústria foi revisada de 1,6% para 2,1%, impulsionada principalmente pela expansão da produção de petróleo e minério de ferro. Como esse segmento depende menos de crédito, acaba sendo menos afetado pelos juros elevados.

A agropecuária também teve sua perspectiva melhorada. A expectativa passou de 1,1% para 1,8%, favorecida pelas estimativas mais otimistas para a safra agrícola, especialmente de soja, além do desempenho da produção animal.

Já a indústria de transformação apresentou uma recuperação mais discreta. A previsão de crescimento subiu de 0,3% para 0,6%, apoiada principalmente pelos setores de derivados de petróleo, produtos farmacêuticos e fabricação de automóveis.

Apesar da melhora, a CNI destaca que boa parte da indústria continua enfrentando dificuldades. Dos 24 segmentos da indústria de transformação, apenas sete registram crescimento, enquanto juros elevados, aumento dos custos de produção e maior concorrência de produtos importados seguem pressionando a atividade.

Serviços perdem ritmo

O setor de serviços foi o único que teve a projeção revisada para baixo. A expectativa de crescimento caiu de 2,1% para 1,9%, refletindo um ambiente econômico menos favorável para a expansão do consumo e dos investimentos.

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Juros devem permanecer elevados

Diante do cenário inflacionário, a CNI prevê apenas dois cortes de 0,25 ponto percentual na taxa Selic até o fim de 2026.

Mesmo com essas reduções, a taxa real de juros deverá encerrar o ano em torno de 9,2%, patamar considerado elevado e acima da chamada taxa neutra, nível que não estimula nem desacelera a atividade econômica.

Contas públicas seguem pressionadas

Na área fiscal, a entidade estima crescimento real de 5,8% na receita líquida do governo federal, impulsionado pelo aumento da arrecadação e pelas receitas ligadas ao setor de petróleo.

Por outro lado, as despesas públicas também devem avançar, com alta real de 4,5%. Com isso, a CNI projeta que o déficit primário permaneça praticamente estável, em cerca de R$ 55,3 bilhões em 2026.

A expectativa é que a dívida bruta continue em trajetória de crescimento, passando de 78,6% do PIB no fim de 2025 para aproximadamente 82% do PIB ao final de 2026, mantendo a preocupação com a sustentabilidade das contas públicas.

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