A disputa tecnológica entre China e Estados Unidos ganhou um novo protagonista: os robôs humanoides. Impulsionadas pelos avanços da inteligência artificial, empresas dos dois países ampliam investimentos para desenvolver máquinas capazes de executar tarefas industriais e, no futuro, atuar também em residências e serviços.
Atualmente, esses robôs são utilizados principalmente em fábricas, centros de distribuição e armazéns, onde realizam atividades repetitivas ou de grande esforço físico, como transporte de cargas, movimentação de peças e abastecimento de linhas de produção. Embora existam testes em áreas como saúde, atendimento ao público e assistência doméstica, essas aplicações ainda estão em fase experimental.
O avanço recente da IA tem acelerado a evolução desses equipamentos, permitindo que executem tarefas mais complexas com maior autonomia. Nos Estados Unidos, empresas como Agility Robotics, Figure AI, Boston Dynamics e Tesla estão entre as principais desenvolvedoras da tecnologia. O robô Digit, por exemplo, já opera em centros logísticos, enquanto modelos da Figure AI passaram a integrar linhas de montagem da BMW. A Boston Dynamics continua investindo no Atlas, e a Tesla aposta no Optimus para aplicações industriais e domésticas.
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Na China, a expansão também ocorre em ritmo acelerado. Empresas como Unitree, UBTECH, AgiBot e Weave Robotics vêm ampliando o uso de humanoides em indústrias de eletrônicos e montadoras de veículos. A UBTECH também testa modelos voltados ao atendimento na área da saúde, enquanto a Weave Robotics apresentou recentemente um robô projetado para auxiliar em tarefas domésticas.
As projeções de mercado indicam forte crescimento nas próximas décadas. Estimativas de consultorias internacionais apontam que o setor poderá movimentar dezenas de bilhões de dólares até meados da próxima década. Em um cenário de longo prazo, análises da Morgan Stanley projetam que o mercado global de robôs humanoides poderá alcançar cerca de US$ 5 trilhões até 2050, considerando também serviços de manutenção, suporte e toda a cadeia de fornecedores.
Segundo essas projeções, a maior parte dos robôs continuará concentrada em atividades industriais e comerciais. A expectativa é que cerca de 90% das unidades sejam empregadas em tarefas repetitivas, enquanto o uso doméstico deverá crescer de forma gradual.
A China aparece como a principal candidata a liderar esse mercado em número de robôs em operação, impulsionada por sua capacidade de produção e investimentos em automação. Já os Estados Unidos devem manter protagonismo no desenvolvimento de tecnologias e apresentar maior presença de robôs humanoides em residências.
Apesar do avanço acelerado, o custo ainda representa um dos principais obstáculos para a popularização desses equipamentos. Atualmente, um modelo básico da fabricante chinesa Unitree é comercializado por cerca de US$ 13,5 mil, enquanto versões mais sofisticadas podem ultrapassar US$ 90 mil.
Com a evolução da inteligência artificial e a expectativa de redução nos custos de fabricação, especialistas acreditam que os robôs humanoides tendem a ganhar espaço em diferentes setores da economia, ampliando a automação de processos e transformando a relação entre pessoas e máquinas nas próximas décadas.
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