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domingo, agosto 16, 2026

Tesouro Direto aumenta retorno após sobretaxa dos EUA sobre produtos brasileiros

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Rolos de dólares simbolizam alta nas taxas do Tesouro Direto após tarifas dos EUA (Foto: Instagram)

Quem busca investir no Tesouro Direto encontrou títulos com maior rentabilidade nesta quinta-feira (16/7). As taxas subiram depois que os Estados Unidos confirmaram a imposição de tarifas de 25% sobre produtos brasileiros, uma medida que elevou a cautela dos investidores e pressionou as taxas de juros de longo prazo no Brasil.

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Na prática, o aumento das taxas dos títulos significa que novos investidores podem garantir um retorno maior. Por outro lado, quem já possui esses papéis pode enfrentar oscilações negativas nos preços no curto prazo devido à marcação a mercado.

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Essas mudanças ocorreram após o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) oficializar, na noite anterior, a cobrança da sobretaxa sobre produtos brasileiros a partir de 22 de julho. O Brasil é o primeiro país a ser afetado pela nova rodada de tarifas anunciada pelo governo americano.

Entre os títulos atrelados à inflação, as altas foram generalizadas. O Tesouro IPCA+ 2032 passou de IPCA mais 8,09% para IPCA mais 8,13% ao ano. Já o IPCA+ 2040 subiu de 7,53% para 7,57%, enquanto o IPCA+ 2050 foi de 7,26% para 7,29%.

Nos papéis prefixados, o Tesouro Prefixado 2032 aumentou de 14,39% para 14,41% ao ano. O maior aumento foi no Prefixado com Juros Semestrais 2037, cuja taxa subiu de 14,43% para 14,48%. O Prefixado 2029 permaneceu praticamente estável, em 14,06%.

O aumento dos rendimentos ocorre em um momento de incerteza sobre os impactos econômicos da disputa comercial. Mesmo que a medida dos EUA não afete diretamente o mercado de títulos públicos, investidores tendem a exigir retornos maiores quando percebem riscos adicionais para a economia, as contas públicas ou o ambiente de negócios.

Simultaneamente, o governo americano ampliou a lista de produtos brasileiros isentos da nova tarifa. Entre os itens incluídos estão: mel orgânico, hidróxido de alumínio, sucata de ferro e aço, produtos do mar, certos produtos de madeira, couros e medicamentos. Produtos que já estavam isentos, como carne bovina, café, laranja e suco de laranja, continuam fora da cobrança.

Por outro lado, pedidos de isenção para setores como vestuário, calçados e máquinas agrícolas e industriais foram negados.

Além do noticiário comercial, investidores também acompanham os desdobramentos políticos da medida. Uma pesquisa Genial/Quaest, divulgada nesta quinta-feira (16/7), indica que a maioria dos eleitores brasileiros culpa o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pela sobretaxação dos produtos brasileiros. Dos entrevistados, 51% concordam com a versão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de que a reunião do parlamentar com Trump motivou o novo tarifaço.

O aumento dos juros não se restringiu ao Brasil. Nos Estados Unidos, os rendimentos dos Treasuries também subiram nesta quinta, enquanto as bolsas operavam em leve queda, pressionadas principalmente pelas ações do setor de semicondutores.

Para o investidor, o resultado é uma situação relativamente rara dos últimos meses: títulos públicos voltando a oferecer remunerações mais elevadas em praticamente toda a curva, tanto nos papéis prefixados quanto naqueles protegidos pela inflação.

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