
Bomba de combustível abastecendo carro com E32 (Foto: Instagram)
O Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) aprovou, nesta terça-feira (14/7), o aumento da mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina de 30% para 32%, a partir de 1º de agosto. A medida terá validade inicial de 180 dias, podendo ser prorrogada uma única vez, e espera-se que resulte em uma redução no preço da gasolina para o consumidor final.
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Essa decisão ocorre em meio a um recente aumento nos preços internacionais do petróleo. Na segunda-feira (13/7), a commodity teve uma alta de cerca de 9%, o maior aumento das últimas quatro semanas, após o agravamento das tensões entre Estados Unidos e Irã e o colapso do cessar-fogo anunciado anteriormente.
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De acordo com estimativas do Ministério de Minas e Energia (MME), a implementação do E32 deve reduzir em aproximadamente R$ 0,03 o preço da gasolina para o consumidor final. Além disso, a medida pode diminuir a necessidade de importar cerca de 900 milhões de litros de gasolina por ano e contribuir para a redução das emissões de gases de efeito estufa.
Conforme divulgado pelo governo, os estudos técnicos realizados não identificaram impactos significativos no desempenho dos veículos, incluindo aqueles com motores exclusivamente a gasolina. Os testes analisaram aspectos como consumo de combustível, dirigibilidade, partida a frio, desempenho e emissões, tanto em laboratório quanto em condições reais de uso.
O aumento na utilização de biocombustíveis faz parte da estratégia do programa Combustível do Futuro, que visa aumentar a participação de fontes renováveis na matriz energética nacional. Além da implementação do E32, o Comitê Técnico Permanente do Combustível do Futuro continuará avaliando a viabilidade de aumentar ainda mais a mistura, para até 35%.
Segundo o MME, qualquer novo aumento só poderá ser implementado a partir do segundo semestre de 2027, após novos estudos e avaliações técnicas.
A discussão sobre o tema ganhou força nos últimos meses. Em abril, o ministro do MME, Alexandre Silveira, já havia indicado a possibilidade de aumentar a mistura em dois pontos percentuais. Em junho, ele afirmou que a medida poderia ajudar na autossuficiência do país no abastecimento de gasolina, reduzindo a dependência de importações em um cenário de instabilidade internacional.
Desde a última alteração na mistura obrigatória, implementada em junho de 2025, quando o percentual de etanol passou de 27% para 30%, o Brasil economizou cerca de R$ 8 bilhões em importações de gasolina, segundo dados da União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica).
A entidade também estima que, desde o início do conflito envolvendo o Irã neste ano, a diferença de preços entre etanol e gasolina gerou uma economia acumulada de aproximadamente R$ 2 bilhões para os consumidores brasileiros.



