
Painéis eletrônicos na B3 exibem cotações durante pregão tenso. (Foto: Instagram)
O dólar encerrou em alta frente ao real nesta terça-feira (7/7), sendo cotado a R$ 5,153, com um aumento de 0,42% durante o dia. O Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores brasileira (B3), caiu 0,25%, fechando em 172.020 pontos.
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Os investidores passaram o dia acompanhando uma agenda econômica pouco movimentada, com maior atenção voltada para o cenário internacional. O destaque foi a audiência pública do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), em Washington, que discute a proposta de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros.
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A alta no preço do petróleo favoreceu as ações das petroleiras, ajudando a mitigar as perdas na Bolsa brasileira. No exterior, as bolsas americanas fecharam em baixa, refletindo a cautela dos investidores em relação à política tarifária dos EUA e à expectativa pela divulgação da ata da última reunião do Federal Reserve (Fed), o banco central dos Estados Unidos.
O setor de petróleo foi o principal destaque positivo do dia. Os contratos do petróleo Brent, referência internacional, subiram 3,01%, alcançando US$ 74,16. Já o petróleo WTI, referência nos EUA, avançou 2,76%, para US$ 70,44 o barril.
A alta no preço do petróleo refletiu preocupações com a oferta global da commodity, após o aumento das tensões no Oriente Médio, além de um ajuste de preços após perdas no início da semana.
Na B3, as petroleiras foram beneficiadas. As ações preferenciais da Petrobras (PETR4) subiram 1,77%, enquanto as ordinárias (PETR3) tiveram alta de 2,60%. A PetroRio (PRIO3) registrou valorização de 5,02%.
Apesar do bom desempenho das petroleiras, o Ibovespa permaneceu negativo, pressionado principalmente pela Vale. As ações da mineradora caíram 2,04%, refletindo a cautela dos investidores com o setor de mineração e influenciando o principal índice da Bolsa, devido à grande participação da empresa na carteira teórica.
O dólar ganhou força frente ao real em sintonia com o mercado internacional. O índice DXY, que mede o desempenho da moeda americana frente a uma cesta de seis moedas fortes, subiu cerca de 0,23%, indicando fortalecimento global do dólar.
De acordo com Vitor Kayo, economista sênior da Nomad, a valorização do dólar foi impulsionada pela “valorização da moeda americana no exterior e pela alta dos juros longos dos Treasuries”.
“O mercado voltou a considerar a possibilidade de o Fed aumentar os juros ainda em dezembro. A retomada de ataques no Estreito de Ormuz trouxe de volta a aversão ao risco, enfraquecendo moedas emergentes e elevando o preço do petróleo. Internamente, o real sente a pressão após três sessões de valorização, enquanto o mercado observa com cautela o segundo dia de audiência do USTR sobre práticas comerciais do Brasil, na Seção 301. O conflito entre EUA e Irã já dura meses sem solução à vista, e essa incerteza continua sustentando a busca por proteção e limitando cortes de juros nos EUA. A ata do Fed será divulgada amanhã e deve oferecer pistas sobre os próximos passos”, comentou o especialista.
Os investidores também seguiram monitorando a audiência pública do USTR, que continuou nesta terça-feira. O senador e pré-candidato à presidência, Flávio Bolsonaro (PL), participou da sessão e argumentou que os EUA deveriam desistir da proposta de tarifa de 25% sobre parte das exportações brasileiras. A decisão do governo americano é esperada para 15 de julho.
Nos Estados Unidos, o pregão foi de leves perdas. O Dow Jones caiu 0,25%, o S&P 500 recuou 0,45% e o Nasdaq 100 perdeu 1,77%.
Os investidores reduziram suas posições antes da divulgação, nesta quarta-feira (8/7), da ata da última reunião do Fed, documento que poderá oferecer novas pistas sobre o futuro da política de juros nos Estados Unidos. A expectativa também está voltada para os próximos indicadores de inflação americanos, considerados cruciais para ajustar as apostas sobre possíveis cortes nas taxas de juros ainda neste ano.



