
Dólar fecha aos R$ 5,20 e Ibovespa recua 0,20% (Foto: Instagram)
O dólar teve uma alta expressiva de 0,90% frente ao real, fechando cotado a R$ 5,20 nesta quarta-feira (1º/7). Ao longo do dia, a moeda americana chegou a ultrapassar esse valor, atingindo R$ 5,21.
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Enquanto isso, o Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira (B3), registrou uma queda de 0,20%, encerrando o dia em 171,6 mil pontos. Apesar da variação ser pequena, ela representa uma estabilidade, mesmo com a volatilidade ao longo do pregão, quando chegou a cair para 169,7 mil pontos às 10 horas.
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De acordo com Rebecca Nossig, analista de investimentos da Nomad, o mercado iniciou julho sob forte pressão, refletindo um cenário global de aversão ao risco. Esse ambiente, segundo a analista, levou o dólar a abrir em alta e empurrou o Ibovespa para o vermelho.
“Essa dinâmica de cautela é quase totalmente influenciada pelos ventos contrários do exterior, especialmente dos Estados Unidos”, afirma a economista. “Dados recentes mais fortes do que o esperado sobre o mercado de trabalho americano indicam que a economia do país segue aquecida e gerando empregos rapidamente. Além disso, os últimos dados de inflação nos EUA continuam pressionados, mostrando que o custo de vida por lá ainda não está cedendo na velocidade desejada pelas autoridades monetárias.”
A combinação de um mercado de trabalho apertado e uma inflação persistente, acrescenta Nossig, “alterou drasticamente as projeções” dos agentes econômicos, que agora esperam um novo aumento de juros pelo Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA).
“Quando o Fed indica que os juros vão subir, os títulos públicos dos EUA — considerados seguros no sistema financeiro global — passam a oferecer maiores rendimentos”, explica a especialista. “Esse movimento afeta negativamente os mercados emergentes, pois a expectativa de juros mais altos pelo Fed reduz significativamente a entrada de capital estrangeiro na Bolsa brasileira.”
Com isso, Rebecca Nossig afirma que os grandes fundos internacionais preferem retirar seu capital de ativos de risco, como as ações do Ibovespa, e alocá-los na segurança e rentabilidade garantida da renda fixa americana, o que explica a subida do dólar frente ao real e a redução de liquidez no mercado acionário brasileiro.
“Além disso, o Ibovespa também foi afetado nesta abertura pela forte correção nos mercados de energia. A sessão de hoje é marcada por uma queda expressiva no preço internacional do barril de petróleo, movimento que se intensifica após o arrefecimento do conflito geopolítico entre Irã e EUA”, diz. “Com a redução das tensões e o menor temor de interrupção no fornecimento global da commodity, o prêmio de risco associado à guerra foi retirado dos preços. Como o índice depende fortemente de matérias-primas, essa queda do petróleo puxa para baixo as ações de grande peso, como a Petrobras, impactando o desempenho do Ibovespa.”
Para Bruno Shahini, também analista da Nomad, o fortalecimento do dólar frente ao real refletiu, principalmente, a valorização da moeda americana no exterior após a divulgação de um novo relatório sobre empregos nos EUA, conhecido como ADP. “Os dados de junho superaram as expectativas, reforçando a percepção de um mercado de trabalho ainda resiliente nos Estados Unidos”, diz.
Ele destaca que, apesar de o presidente do Federal Reserve, Kevin Warsh, não ter adotado um tom mais duro em seu discurso nesta quarta-feira, o mercado manteve a leitura de que os juros americanos devem permanecer elevados por mais tempo. Isso sustentou o dólar e os rendimentos dos Treasuries, títulos da dívida americana.
Na Europa, os principais índices fecharam em queda, exceto na Alemanha. O Stoxx 600, que reúne ações de empresas de 17 países do continente, caiu 0,31%. Em Londres, o FTSE 100 recuou 0,18% e o CAC 40, de Paris, perdeu 0,79%. O DAX, de Frankfurt, subiu 0,29%.
Em Wall Street, as bolsas apresentaram sinais mistos. Às 16h40, o índice S&P 500 recuava 0,09%; o Dow Jones subia 0,06%; e o Nasdaq, que concentra as ações de empresas de tecnologia, baixava 0,46%.
Com a diminuição das tensões entre Estados Unidos e Irã, o preço do petróleo voltou a cair. O barril do tipo Brent, referência internacional, fechou em queda de 1,89%, a US$ 71,57. O tipo West Texas Intermediate (WTI), referência nos EUA, caiu 1,32%, a US$ 68,58. Ambos os valores são próximos aos níveis anteriores à guerra, iniciada em 28 de fevereiro.
Para alguns analistas, o resultado do Ibovespa também foi influenciado pelas sanções anunciadas pelo governo dos Estados Unidos contra dois cidadãos e três empresas do Brasil, por suposta ligação com a organização criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC).
Para Bruno Perri, da Forum Investimentos, o fato gerou “preocupação para os mercados”, uma vez que esse tipo de medida possa se estender e afetar outros setores da economia.



