Mais de duas décadas depois do assassinato que virou capítulo obrigatório da história criminal brasileira, Suzane von Richthofen vai falar. E vai falar na Netflix.
A plataforma definiu que o documentário sobre a vida atual de Suzane está previsto para o último trimestre de 2026. A produção já está na reta final de montagem, embora a data oficial de estreia ainda não tenha sido divulgada. O título de trabalho escolhido para o projeto é “Suzane Vai Falar” — e o nome diz muito sobre a aposta da plataforma.
Esta é a primeira vez que Suzane concede qualquer tipo de depoimento ou entrevista desde sua prisão, em 2002. Para viabilizar a participação, a plataforma pagou à condenada cerca de R$ 500 mil — o equivalente a 308 salários mínimos.
O contrato, porém, vem com condições. Uma delas é um acordo de confidencialidade permanente, que impede Suzane de comentar publicamente qualquer detalhe da negociação. Outro ponto garante exclusividade temporária à Netflix: durante o período estipulado, ela não poderá conceder entrevistas a outros veículos ou plataformas concorrentes.
Além de revisitar o crime, o documentário deve abordar a vida que Suzane construiu após a prisão, incluindo o relacionamento com o marido, o médico Felipe Zecchini Muniz, e o filho do casal, também chamado Felipe, de dois anos. Segundo informações que circularam após uma pré-estreia restrita, a produção apresenta maternidade e religião como pilares da “nova identidade” de Suzane, buscando estabelecer uma separação entre a jovem de 2002 e a mulher de hoje. A delegada Cíntia Tucunduva, que investigou o caso na época, aparece como contraponto, descrevendo o comportamento de Suzane logo após o crime como incompatível com o luto — versão que Suzane nega na obra.
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Nem todos toparam participar. Andreas von Richthofen, irmão de Suzane, recusou o convite para integrar o projeto. A equipe queria ouvir sua versão sobre declarações feitas pela irmã durante as gravações, já que ele é citado diversas vezes no depoimento, inclusive em episódios recentes.
O contexto para o lançamento não poderia ser mais favorável à plataforma. A série “Tremembé”, do Amazon Prime Video, que trouxe Suzane como personagem inspirada em fatos reais, tornou-se a maior audiência da plataforma no Brasil e já tem nova temporada em produção. A Netflix claramente enxergou na onda do true crime nacional uma janela para apostar alto — e decidiu ir direto à fonte.
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