16.2 C
São Paulo
quinta-feira, junho 11, 2026

Lula endurece tom contra Washington e diz que Brasil não vai ceder às novas tarifas americanas

Leia mais

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) subiu o tom contra as ameaças tarifárias do governo norte-americano nesta quarta-feira (10). Em discurso na abertura da reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável, o Conselhão, Lula afirmou que o Brasil não tem o direito de ceder às novas taxações impostas pelos Estados Unidos.

“É preciso que vocês me apresentem um estudo urgente do que ganha um trabalhador americano, porque, a última imputação de taxa que colocaram para nós, nós não temos o direito de aceitar, por dignidade e respeito ao que fazemos aqui pelos nossos trabalhadores”, declarou o presidente.

A fala ocorre em meio a uma disputa comercial que se intensificou nas últimas semanas. Em 1º de junho, o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) concluiu uma investigação com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974 e propôs a aplicação de uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, alegando que certas práticas adotadas pelo Brasil seriam “irrazoáveis” e estariam prejudicando empresas americanas. Logo em seguida, o USTR divulgou uma segunda investigação, desta vez relacionada ao suposto uso de trabalho forçado, que também inclui o Brasil entre os países analisados.

++ PF reduz expectativa sobre delação de banqueiro e mira novos depoimentos em investigação bilionária

Somadas, as duas medidas poderiam resultar em uma taxação de até 37,5% sobre exportações brasileiras — ambas ancoradas na Seção 301 da Lei de Comércio americana de 1974. A decisão final, no entanto, ainda depende da assinatura de Trump, e a data-limite para a contestação das medidas é 15 de julho.

Entre os pontos levantados pelos americanos estão questões como o Pix, comércio digital, propriedade intelectual, etanol, combate ao desmatamento e decisões do Judiciário brasileiro envolvendo plataformas digitais. Na defesa apresentada ao governo americano, o Brasil ressaltou que possui instrumentos legais próprios e apostou na continuidade das conversas diplomáticas com Washington para tentar evitar novas restrições ao comércio bilateral.

++ Cármen Lúcia alerta para ameaça da inteligência artificial à democracia e ao processo eleitoral

Nos bastidores, o Planalto também mantém uma carta na manga. O Congresso Nacional aprovou a Lei da Reciprocidade, que permite ao Brasil retaliar na mesma proporção, mas o Itamaraty prefere esgotar as vias diplomáticas antes de ativar o instrumento, já que os EUA são o segundo maior parceiro comercial do país, atrás apenas da China.

Entre os dias 15 e 17 de junho, Lula deve participar da cúpula do G7, em Évian-les-Bains, na França, onde pretende articular apoio de países como França, Reino Unido e Alemanha para pressionar Washington a recuar das medidas. A estratégia é transformar o que começou como uma disputa bilateral em um tema de agenda multilateral — e colocar Trump na defensiva diante dos aliados europeus.

Não deixe de nos seguir no Instagram para mais notícias da Pardal Tech

- Advertisement -spot_img
- Advertisement -spot_img

Últimas notícias